O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, admitiu ter realizado investimentos em ações depois de assumir funções, por ter entendido que a proibição legal se aplicava apenas à compra de títulos de instituições financeiras.
Numa nota publicada no sítio oficial do banco central, o responsável confirma ter adquirido participações em empresas como a Galp Energia, a Jerónimo Martins, a Nestlé e a The Navigator Company, todas fora do perímetro de supervisão do Banco de Portugal.
Segundo o governador, as operações foram comunicadas ao Banco Central Europeu (BCE), que, em esclarecimento datado de 1 de abril, determinou que a proibição de aquisição de ações se aplica também a empresas não financeiras, no âmbito das regras de independência e prevenção de conflitos de interesses.
Perante esta interpretação, Álvaro Santos Pereira afirma ter procedido à venda das ações, conforme exigido pelo BCE.
Na mesma nota, o governador garante ainda que qualquer mais-valia obtida com estas operações será integralmente doada a uma instituição de responsabilidade social, não especificada.
O caso surge no contexto das regras de independência que se aplicam aos responsáveis das instituições de supervisão financeira europeias, que impõem restrições estritas a investimentos pessoais durante o exercício de funções.



