O Governo deverá decidir ainda esta semana o modelo de comparticipação dos medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade, numa altura em que a procura por estas terapêuticas continua a aumentar em Portugal.
A informação foi avançada pela RTP, com base em declarações da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.
Em causa estão medicamentos como Wegovy e Mounjaro, conhecidos popularmente como “canetas” para emagrecer, cuja procura tem disparado em vários países, incluindo Portugal. Atualmente, estes fármacos ainda não beneficiam de comparticipação por parte do Serviço Nacional de Saúde.
Segundo Ana Povo, o eventual apoio público não implicará acesso livre aos medicamentos, estando prevista a definição de critérios clínicos rigorosos e restrições na prescrição.
“Não vai ser uma prescrição livre, independentemente das especialidades que vão poder prescrever. Também vamos fazer o limite às equipas multidisciplinares”, afirmou a governante à RTP.
A responsável acrescentou que apenas doentes enquadrados nas normas da Direção-Geral da Saúde, nomeadamente casos de obesidade mórbida acompanhados por equipas especializadas, deverão poder beneficiar da comparticipação.
Os números mais recentes ajudam a explicar a dimensão do fenómeno. De acordo com dados do Infarmed, entre janeiro e março deste ano os portugueses gastaram 55,2 milhões de euros em medicamentos com semaglutido e tirzepatida, substâncias utilizadas no tratamento da obesidade. O valor corresponde a cerca de 613 mil euros por dia.
Já a Associação Nacional de Farmácias indica que, no ano passado, foram vendidas mais de 512 mil embalagens destes medicamentos nas farmácias portuguesas, numa média superior a 2.300 unidades por dia.
O preço continua, contudo, a ser um dos principais obstáculos ao acesso. Cada caneta corresponde geralmente a quatro administrações semanais e os custos variam entre cerca de 182 euros e mais de 337 euros, consoante a substância e a dosagem prescrita.
A eventual comparticipação levanta também desafios financeiros para o SNS, tendo em conta o elevado custo destas terapêuticas e o crescente número de pessoas interessadas no tratamento. O Governo procura, por isso, encontrar um equilíbrio entre o acesso dos doentes, a evidência clínica e a sustentabilidade da despesa pública.
A decisão surge num contexto de forte mediatização destes medicamentos, impulsionada pelas redes sociais e pelos relatos de perda rápida de peso, fenómeno que transformou os agonistas dos recetores GLP-1 num dos temas mais discutidos na área da saúde e do bem-estar.



