A Liga dos Bombeiros Portugueses decidiu este sábado rescindir o protocolo de cooperação com o INEM, responsável pela coordenação da emergência médica pré-hospitalar em Portugal, invocando incumprimento contratual e uma dívida acumulada de cerca de 20 milhões de euros às associações humanitárias.
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Nacional da Liga e deverá produzir efeitos dentro de 120 dias após notificação formal.
O presidente da Liga, António Nunes, sublinhou que o problema não reside no montante em causa, mas no incumprimento do acordo estabelecido, referindo que os pagamentos deveriam ser efetuados no mês seguinte à prestação do serviço, o que não tem acontecido.
INEM admite atrasos e condiciona novo acordo
Em reação, o INEM reconheceu “a existência de valores em regularização no âmbito da execução do acordo com os seus parceiros”, justificando a situação com necessidades de reforço orçamental.
Segundo o instituto, os pagamentos estão regularizados até janeiro, estando já uma parte de fevereiro paga e o restante em processamento. O organismo admite ainda que o entendimento para o acordo de 2026 não pode ser aplicado de imediato, devido ao atual quadro de financiamento.
Apesar disso, o INEM garante manter “disponibilidade de diálogo” com a Liga dos Bombeiros, com o objetivo de assegurar a continuidade da resposta de emergência médica pré-hospitalar.
Governo promete intervenção rápida
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerou a existência de dívidas “não admissível” e assegurou que o Governo irá encontrar uma solução “nos próximos dias”.
O governante afirmou já ter articulado a situação com a ministra da Saúde e sublinhou a importância dos bombeiros no sistema de emergência, classificando-os como “insubstituíveis”.
Possível renegociação em cima da mesa
Apesar da rescisão, a Liga dos Bombeiros admite estar disponível para negociar um novo acordo, desde que fiquem claramente definidas as consequências em caso de incumprimento por parte do INEM.
O protocolo em vigor, celebrado a 28 de fevereiro do ano passado, previa, entre outros pontos, o reforço do apoio financeiro mensal às corporações de bombeiros.
O impasse coloca agora pressão sobre o modelo de resposta pré-hospitalar em Portugal, num setor considerado crítico para a prestação de socorro em todo o país.



