O Governo solicitou à ENSE – Entidade Nacional para o Setor Energético uma análise à evolução dos preços dos combustíveis, por considerar que estes não estão a acompanhar a descida da cotação do petróleo nos mercados internacionais. A informação foi avançada esta quarta-feira pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, durante uma audição na Comissão de Ambiente e Energia da Assembleia da República.
“Nós já pedimos à ENSE para olhar para esta questão”, afirmou a governante, sublinhando que o executivo pretende perceber por que motivo os preços dos combustíveis não estão a descer ao mesmo ritmo a que anteriormente aumentaram.
Segundo Maria da Graça Carvalho, esta discrepância “não tem razão de ser”, defendendo que é necessário apurar as causas da situação. “Queremos perceber exatamente porque é que isso está a acontecer”, reforçou.
O tema foi abordado no âmbito de uma audição requerida pelo PCP sobre o negócio entre a Galp e a Moeve, embora a ministra tenha esclarecido que a evolução dos preços dos combustíveis é uma matéria distinta da operação de concentração dos ativos de refinação, petroquímica e comercialização de combustíveis das duas empresas na Península Ibérica.
A subida dos preços dos combustíveis ocorreu na sequência do ataque dos Estados Unidos ao Irão e dos receios de perturbações no abastecimento mundial de petróleo, motivados pela possibilidade de encerramento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de crude. Apesar da posterior estabilização e descida das cotações internacionais do petróleo, os preços praticados nos postos de abastecimento não acompanharam essa tendência.
A ENSE, entidade responsável pela fiscalização e supervisão do setor energético, incluindo o mercado dos combustíveis, irá agora analisar a evolução dos preços e os fatores que poderão justificar a diferença entre a variação das cotações internacionais e os valores cobrados aos consumidores.
Na mesma audição parlamentar, Maria da Graça Carvalho destacou ainda que Portugal enfrentou a mais recente crise energética em condições mais favoráveis do que outros países europeus, graças à capacidade da refinaria de Sines, responsável por assegurar cerca de 80% das necessidades nacionais de combustíveis, e à diversificação das fontes de abastecimento do país.



