A Guarda Nacional Republicana (GNR) lançou um alerta para o crescimento sustentado das infrações relacionadas com o uso indevido do telemóvel durante a condução, uma prática que tem vindo a agravar-se e que representa uma séria ameaça à segurança rodoviária. Nos últimos três anos, foram registadas mais de 40 mil infrações, o que corresponde a uma média aproximada de 50 ocorrências por dia.
Segundo a autoridade, este comportamento constitui não apenas uma violação do Código da Estrada, mas um risco real para todos os utentes da via. A utilização do telemóvel ao volante introduz níveis elevados de distração, comprometendo a atenção do condutor e podendo triplicar a probabilidade de وقوع de acidentes. A GNR sublinha que o manuseamento destes dispositivos provoca uma distração cognitiva profunda, reduzindo significativamente o tempo de reação e o campo de visão, com efeitos comparáveis à condução sob influência de álcool.
Os dados mais recentes confirmam a tendência preocupante. Em 2025, foi atingido o valor mais elevado do período em análise, com 18 631 infrações registadas, representando um aumento de cerca de 8% face às 17 281 verificadas em 2024. Já em 2026, apenas no primeiro trimestre (até 31 de março), foram contabilizadas 4 179 infrações.
Apesar de, em termos globais, se registar uma descida de 25,5% no primeiro trimestre de 2026 face ao mesmo período de 2025 — ano em que se atingiu o pico de 5 612 infrações entre janeiro e março —, a GNR manifesta preocupação com a evolução recente. Em março de 2026 foram detetadas 1 688 infrações, o que representa um aumento de 16,5% face a fevereiro e um crescimento de 61,8% em comparação com janeiro.
A análise geográfica revela ainda uma maior incidência nos distritos do Porto e de Lisboa. O Porto lidera os registos, com 3 826 infrações em 2024 e 3 522 em 2025, seguido de Lisboa, com 2 257 e 2 453 infrações, respetivamente. Destaca-se também o distrito de Aveiro, que em 2025 ultrapassou as 1 700 infrações.
Perante este cenário, a GNR reforça o apelo à consciencialização dos condutores, alertando para a necessidade urgente de alterar comportamentos e adotar práticas de condução mais seguras, de forma a reduzir a sinistralidade rodoviária e proteger vidas.



