A guerra no Médio Oriente, com impacto direto no Irão, está a afastar os portugueses dos jogos sociais, provocando uma quebra estimada de 40 milhões de euros nas receitas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
O valor foi avançado por Paulo Sousa, em entrevista ao programa “Conversa Capital”, da Antena 1 e do Jornal de Negócios. Segundo o responsável, a quebra verifica-se desde 28 de fevereiro e aproxima-se dos lucros totais registados pela instituição em 2025.
Recorde-se que, no ano passado, a Santa Casa apresentou resultados positivos de 43,6 milhões de euros, o melhor desempenho financeiro dos últimos 17 anos.
Alguns jogos resistem à tendência
Apesar da quebra generalizada, Paulo Sousa destacou que alguns produtos têm demonstrado maior resiliência. É o caso do Placard e da Lotaria, que estão atualmente em fase de recuperação, contrariando a tendência negativa.
Ainda assim, o impacto global da instabilidade internacional tem-se refletido no comportamento dos jogadores, com uma retração no consumo associada ao clima de incerteza.
Estratégia passa por reforço da rede e novos jogos
Para mitigar os efeitos da quebra, a Santa Casa prepara medidas de reforço da sua operação. Entre elas, está a abertura de concursos para aumentar o número de mediadores, que deverá atingir os 5.600 até ao final do ano — mais 400 do que atualmente.
Paralelamente, a instituição prevê lançar um novo jogo, mantendo o atual portefólio, numa tentativa de dinamizar a procura e recuperar receitas.
Paulo Sousa manifestou ainda confiança na capacidade da Santa Casa para absorver o impacto financeiro, à semelhança do que aconteceu durante os anos da pandemia, apontando para uma estratégia de médio prazo assente na diversificação e expansão da oferta.



