Faz hoje um ano desde que Portugal viveu um dos episódios mais disruptivos da sua história recente: o colapso total da rede elétrica ibérica que mergulhou o país na escuridão em pleno dia. Eram 11h33 quando o sistema perdeu o sincronismo com a rede europeia, provocando uma falha generalizada de energia que paralisou serviços essenciais e expôs vulnerabilidades estruturais.
De um momento para o outro, cidades inteiras ficaram sem eletricidade. Os transportes públicos imobilizaram-se, os semáforos desligaram-se e o trânsito rapidamente entrou em rutura. Sem energia, os terminais de pagamento deixaram de funcionar, a internet falhou e milhares de pessoas acorreram a supermercados e postos de combustível, antecipando um cenário de escassez.
O impacto estendeu-se à aviação. Cerca das 13h00, o Aeroporto Humberto Delgado encerrou operações, incapaz de garantir condições de segurança. Já o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e o Aeroporto de Faro conseguiram manter atividade limitada graças a geradores de emergência, ainda que com centenas de voos cancelados ou atrasados.
Num país subitamente privado de informação digital, foi a rádio pública — a Rádio e Televisão de Portugal — que assegurou a continuidade da emissão, recorrendo a sistemas de energia de reserva. Tornou-se, durante horas, a principal fonte de informação para a população.
A reposição total da eletricidade só viria a acontecer cerca de 12 horas depois, às 23h20. O arranque do sistema foi possível graças às centrais com capacidade de “blackstart”, nomeadamente a Barragem de Castelo do Bode e a central da Tapada do Outeiro, fundamentais para reiniciar a produção e restabelecer o fornecimento energético.
Um ano depois, o apagão permanece como um marco que levou a um reforço do debate sobre a resiliência das infraestruturas críticas e a necessidade de preparação para cenários extremos, num contexto de crescente pressão sobre os sistemas energéticos europeus.



