Um homem de 68 anos morreu na quarta-feira, em Tavira, depois de ter aguardado mais de uma hora pela chegada de meios de socorro, revelou à agência Lusa uma fonte da família. O caso volta a levantar preocupações quanto à capacidade de resposta dos serviços de emergência médica.
Segundo a mesma fonte, o homem sentiu-se mal ao final da tarde, após se ter deslocado a uma farmácia e ingerido um xarope. Perante o agravamento do estado de saúde, os familiares contactaram o número de emergência.
De acordo com a fita do tempo da ocorrência, a que a Lusa teve acesso, a primeira chamada foi registada às 18h07. Perante a ausência de meios no local, foi efetuada uma segunda chamada a questionar a demora do socorro. Inicialmente, a situação foi classificada como prioridade 2 (P2), com um tempo de resposta estimado de 18 minutos.
Às 18h47, após uma terceira chamada dos familiares a informar que a vítima se encontrava em paragem cardiorrespiratória, o caso passou a ser classificado como prioridade máxima (P1), exigindo resposta imediata. No entanto, a primeira ambulância só foi acionada às 18h42.
Para o local foram ainda mobilizados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada às 18h49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e elementos da polícia. Ainda assim, segundo a família, os primeiros meios de socorro só chegaram mais de uma hora após o pedido inicial de ajuda.
Este episódio ocorre poucos dias depois de um outro caso semelhante, registado na terça-feira no Seixal, onde um homem de 78 anos morreu após ter aguardado quase três horas por socorro. Relativamente a essa ocorrência, o presidente do INEM afastou responsabilidades diretas do instituto, atribuindo os atrasos à escassez de meios disponíveis e à retenção prolongada de macas das ambulâncias nos hospitais.
As autoridades continuam a analisar as circunstâncias destes casos, que têm gerado preocupação pública e reacendido o debate sobre a capacidade de resposta do sistema de emergência médica em Portugal.



