OPINIÃO –
Hora de coordenação e preparação

Tal como dizia Sá Carneiro, “em democracia transparência é a regra.” E esta é ainda mais fundamental, quanto a situação coloca em risco a saúde pública e a vida dos cidadãos, mesmo que seja só de uma percentagem pequena.

Pela voz do deputado Ricardo Baptista Leite, o PSD, na Comissão de Saúde, criticou o governo e em particular a Ministra da Saúde pela evidente existência de sinais alarmantes de falta de coordenação e preparação do Governo em relação ao surto do Coronavírus. O deputado, criticou também as constantes “falhas de comunicação” do Executivo que têm “contribuído para o alarmismo social”.

A realidade dos factos “não coincide” com o cenário “otimista” que o primeiro ministro apresentou na Assembleia da República.

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Nos hospitais e nos centros de saúde, há falta de informação e de material que possa evitar a contaminação dos portugueses com o coronavírus, para além da clara descoordenação da Linha Saúde 24.

Pois é, a folga financeira que o governo tanto proclama, afinal não chega para dar resposta a esta situação de emergência da mesma forma como foi feita há 10 anos, aquando da pandemia da gripe A H1N1 no mundo. Todos sabemos que a consolidação orçamental dos últimos 4 anos é sobretudo conjuntural, apoiada em fatores cíclicos e pontuais.

Mas, a resposta a esta questão não pode ficar presa no Ministério das Finanças.  A saúde precisa com urgência de meios e decisões autónomas, bem como do reforço dos meios públicos, com a agilização da aquisição de materiais considerados indispensáveis à prevenção e contenção da epidemia Covid-19. Não existe, até agora, um plano de contingência articulado entre os diferentes organismos públicos (escolas, hospitais, aeroportos,…) quando se sabe que Portugal pode deparar-se com um “crescimento exponencial” do surto do novo coronavírus.

Não queremos alimentar situações de alarmismo e para que isso não aconteça, os portugueses têm de confiar no Sistema Nacional de Saúde que depende da competência do Ministério da Saúde e do Governo em geral.

Como podemos sentir-nos seguros se desconhecemos como irão funcionar os hospitais de retaguarda e onde estão as 2000 camas prometidas para o efeito? Como será feito o transporte dos doentes em condições de isolamento? Em que condições serão estes doentes tratados?

São demasiadas perguntas sem resposta.

A Organização Mundial de Saúde considera uma emergência internacional de saúde pública. O mundo inteiro está em alerta e os portugueses acompanham com apreensão as notícias sobre o surto da doença, sem alarmismos, mas com sentido de responsabilidade.

Esperamos das entidades responsáveis uma resposta eficaz pois a hora não é de palavras mas sim de preparação. O país e as pessoas devem estar preparados para evitar uma verdadeira pandemia.