Todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ativaram o nível mais baixo dos respetivos planos de contingência para fazer face à onda de calor que deverá atingir praticamente todo o país nos próximos dias. A garantia foi deixada esta terça-feira pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que, apesar de assegurar que o sistema está preparado, reconheceu as limitações provocadas pela falta de recursos humanos.
À margem de uma reunião da Plataforma Regional de Especialização Inteligente (PREI) em Ciências da Vida e da Saúde, no Porto, a governante explicou que os planos de contingência já estão em vigor em todas as unidades hospitalares.
“Os planos de contingência foram todos ativados”, afirmou, precisando que os hospitais se encontram atualmente no nível um, o mais baixo da escala prevista para responder a situações de calor extremo.
Apesar da preparação, Ana Paula Martins admitiu que o verão continua a ser um período particularmente exigente para o SNS devido às férias dos profissionais de saúde.
“Nós estamos preparados, ou seja, nós temos os planos todos desenhados, como temos nas ondas de frio também, mas é verdade que temos dificuldades. É verdade que temos dificuldades porque, como sabem, o período do verão é um período em que nós temos muita falta de recursos humanos devido às merecidas férias também dos profissionais.”
A ministra sublinhou ainda que o sistema de saúde necessitaria de um número significativamente superior de profissionais para garantir uma resposta plena.
“Precisávamos de ter o dobro dos profissionais para constituir as equipas.”
Aumento da procura nas urgências
Segundo a responsável pela pasta da Saúde, as temperaturas elevadas tendem a provocar um agravamento do estado de saúde de muitos doentes, refletindo-se num aumento da procura pelos serviços de urgência.
“Quando o calor aumenta, as descompensações também potencialmente aumentam e as afluências à urgência também aumentam”, referiu.
Questionada sobre a existência de escalas completas para os próximos meses nas unidades com maiores dificuldades, Ana Paula Martins reconheceu que esse cenário ainda não está garantido.
“Não tenho a escala completa para os próximos três meses”, admitiu, atribuindo essa realidade à falta de recursos humanos.
Encerramento de urgências é possível
Relativamente à possibilidade de encerramento de serviços de urgência durante este período, a ministra considerou que esse cenário não é o mais expectável, embora não possa ser excluído.
“Não é provável, mas possível.”
As maiores dificuldades continuam a verificar-se nas especialidades de Pediatria e Anestesiologia, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo.
“Temos mais dificuldades, é verdade, na área da pediatria, em determinadas regiões do país, como Lisboa e Vale do Tejo. Temos também muitas dificuldades na área da anestesia. Não podemos ter urgências abertas totalmente, cerca de 160 urgências abertas, sem anestesia”, alertou.
Onda de calor deverá prolongar-se até 10 dias
As declarações da ministra surgem numa altura em que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê uma onda de calor que poderá prolongar-se entre oito e dez dias, afetando praticamente todo o território continental.
Segundo o IPMA, apenas algumas zonas do litoral oeste e sul poderão escapar aos valores mais elevados de temperatura, enquanto grande parte do país deverá registar máximas muito acima da média para a época, aumentando os riscos para a saúde pública e a pressão sobre os serviços hospitalares.



