Os hospitais do Serviço Nacional de Saúde vão ser obrigados a reduzir despesas em 2026, mesmo que essa contenção cause um abrandamento da atividade assistencial. A orientação foi transmitida pela Direção Executiva do SNS (DE-SNS) aos administradores das Unidades Locais de Saúde, numa reunião em Santarém, poucos dias depois da entrega do Orçamento do Estado, segundo avançou o Público e citou a CNN Portugal.
A instrução define um corte de 10% em fornecimentos e serviços externos, abrangendo áreas como aquisição de medicamentos, material clínico, contratação de profissionais a recibos verdes e realização de exames no setor convencionado.
O objetivo é compensar o aumento previsto na despesa com pessoal, estimado em cerca de 370 milhões de euros, resultante da valorização das carreiras e dos aumentos salariais na função pública.
Além dos cortes financeiros, foi igualmente dada indicação de “contratações zero” em 2026, o que reforça o receio de que o SNS possa ver limitada a sua capacidade de resposta.
Outra orientação transmitida é clara: os hospitais não poderão ultrapassar a produção assistencial registada em 2025. Na prática, isto pode significar listas de espera ainda mais longas. No final de junho, quase um milhão de utentes aguardava a primeira consulta, um aumento de 25% face ao período homólogo, e a espera para cirurgias oncológicas cresceu 4,7%.
Gestores hospitalares e profissionais de saúde mostram preocupação com o impacto destas medidas, temendo que o SNS entre em 2026 com menos margem, menos pessoas e mais doentes à espera.
A Direção Executiva do SNS ainda não fez comentários públicos adicionais sobre a implementação concreta destas orientações.



