A Unidade Local de Saúde de Braga realizou, no Hospital de Braga, o primeiro procedimento em Portugal de termoablação por radiofrequência de um tumor do pâncreas por via exclusivamente endoscópica, marcando a introdução de uma técnica inovadora e minimamente invasiva no país.
A intervenção foi realizada no final do ano passado e apresenta-se como uma alternativa terapêutica para doentes com indicação cirúrgica, mas que não podem ser submetidos a cirurgia devido a elevado risco clínico ou anestésico. Nestes casos, a abordagem convencional não é viável, tornando-se necessário recorrer a soluções diferenciadas.
Segundo o médico gastroenterologista da ULS Braga, Bruno Gonçalves, responsável pelo procedimento, a cirurgia continua a ser o único tratamento com intenção curativa nos tumores do pâncreas, mas nem todos os doentes reúnem condições para essa abordagem. “A termoablação por radiofrequência surge como uma solução minimamente invasiva que permite a destruição direta da lesão tumoral”, explicou.
A técnica consiste na introdução de uma sonda no interior do tumor através de endoscopia, permitindo a destruição do tecido tumoral por meio de energia térmica. Por ser um procedimento totalmente endoscópico, reduz o grau de invasividade, associado a uma recuperação mais rápida e menor risco de complicações.
De acordo com outro especialista envolvido, Bruno Soares, esta abordagem permite ainda avaliar de imediato a resposta ao tratamento durante o próprio procedimento, com base em parâmetros técnicos da endoscopia.
Para além da aplicação em patologia maligna, a técnica pode também ser utilizada em lesões benignas com potencial de evolução para cancro, permitindo a sua destruição precoce e contribuindo para a prevenção da progressão da doença.
Os dados disponíveis apontam para uma eficácia entre 70% e 80%, associada a uma baixa taxa de complicações, o que reforça o potencial desta abordagem no tratamento de casos selecionados.
Com esta inovação, a ULS Braga reforça o seu posicionamento na introdução de soluções clínicas diferenciadas, apostando na inovação tecnológica e na adequação das respostas terapêuticas ao perfil e risco dos utentes.




