O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reconheceu este domingo a derrota nas eleições legislativas, classificando o resultado como “claro” e “doloroso”, após 16 anos consecutivos no poder.
A vitória foi alcançada por Péter Magyar, líder do partido Tisza, que venceu um dos escrutínios mais disputados da história recente da Hungria, com uma taxa de participação a rondar os 80%, um recorde no país.
De acordo com resultados preliminares, com mais de metade dos votos apurados, o partido Tisza deverá conquistar cerca de 136 dos 199 lugares no parlamento, superando largamente o Fidesz, de Orbán, que se ficou pelos 56 mandatos.
As urnas encerraram às 19h00 locais e, cerca de hora e meia depois, Orbán assumiu a derrota e felicitou o vencedor, confirmando o fim do que seria o seu quinto mandato como primeiro-ministro.
“Dia histórico” para a Hungria
Num breve discurso após o fecho das urnas, Péter Magyar classificou o momento como um “dia histórico”, agradecendo a mobilização dos eleitores e destacando a importância da participação cívica.
O novo primeiro-ministro eleito, de perfil pró-europeu e centro-direita, tem defendido uma “mudança de sistema”, prometendo combater a corrupção, reforçar o Estado de direito e reaproximar a Hungria das instituições europeias.
Fim de uma era política
A derrota de Viktor Orbán marca o fim de um ciclo político iniciado em 2010. Durante mais de uma década e meia no poder, o líder do Fidesz destacou-se pelas posições nacionalistas e pelas tensões com a União Europeia, sendo frequentemente criticado por alegadas derivas autoritárias.
Orbán foi também conhecido pela proximidade com o Kremlin e por posições divergentes em relação ao apoio europeu à Ucrânia após a invasão russa em 2022.
Novo rumo político
Péter Magyar, de 45 anos, é advogado e eurodeputado desde 2024, integrando o grupo do Partido Popular Europeu. Tornou-se rapidamente a principal figura da oposição, capitalizando o descontentamento popular e apresentando-se como alternativa reformista.
Com esta vitória, inicia-se agora um novo ciclo político na Hungria, com expectativas de mudanças significativas na governação e no posicionamento internacional do país.



