A Suíça decretou cinco dias de luto nacional na sequência do incêndio que provocou cerca de 40 mortos durante uma festa de passagem de ano num bar da estância de esqui de Crans-Montana, no cantão de Valais. As autoridades iniciaram esta sexta-feira um processo complexo de identificação das vítimas, admitindo que poderá prolongar-se por vários dias ou mesmo semanas, devido à gravidade das queimaduras.
“Foi um drama de proporções desconhecidas”, afirmou o presidente suíço, Guy Parmelin, que prestou homenagem às muitas “vidas jovens que foram perdidas e interrompidas”, classificando o incêndio como um dos episódios mais traumáticos da história recente do país.
O fogo deflagrou durante uma festa de Ano Novo no bar Constellation, situado na cave do edifício e com capacidade para cerca de 300 pessoas. Além das dezenas de mortos, registaram-se mais de 100 feridos, muitos em estado grave.
O número exato de pessoas que se encontravam no interior do espaço no momento do incêndio ainda não é conhecido, assim como o número de desaparecidos.
As causas do incêndio continuam sob investigação. Algumas testemunhas relataram que o fogo poderá ter começado com dispositivos pirotécnicos colocados em garrafas de champanhe. Duas mulheres que estavam no interior do bar disseram à estação francesa BFMTV que uma funcionária segurava um bolo com velas acesas, enquanto estava às cavalitas de um colega, tendo as chamas atingido o teto de madeira e espalhado rapidamente, provocando o seu colapso.
A procuradora-geral do cantão de Valais, Beatrice Pilloud, confirmou que estão a ser mobilizados meios significativos para identificar as vítimas e devolver os corpos às famílias “o mais rapidamente possível”, recusando comentar, para já, os relatos das testemunhas.
A magistrada sublinhou que a investigação irá apurar as circunstâncias exatas do incêndio, incluindo se o bar cumpria as normas de segurança e dispunha do número adequado de saídas de emergência.
Também o presidente da Câmara de Crans-Montana, Nicolas Feraud, afirmou que a prioridade absoluta é a identificação de todos os corpos. Segundo o chefe do Governo cantonal, Mathias Reynard, os especialistas estão a recorrer a amostras dentárias e de ADN, dada a severidade das lesões. “Nada pode ser comunicado às famílias sem total certeza”, frisou.
Até ao momento, não há indicação de vítimas portuguesas, confirmou à RTP o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Itália e França já admitiram ter cidadãos desaparecidos, sendo esperada esta sexta-feira a visita do ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, a Crans-Montana. A Austrália informou, por sua vez, que um dos seus cidadãos ficou ferido no incêndio.



