A historiadora Irene Flunser Pimentel trouxe à Biblioteca Municipal de Vila Verde as ‘Memórias da Revolução’, na última noite, no âmbito do programa ‘Aqui há cultura’. Apresentou a sua obra “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”.
A escritora abordou o tema apontando a «inação da DGS (antiga PIDE)» durante o 25 de abril, explicando que «existiram diversos acontecimentos que justificaram esse comportamento por parte da polícia política».
No entanto, recordou que, «durante a segunda fase do marcelismo, o cenário alterou-se de forma significativa: o regime endureceu e a repressão intensificou-se. Muitos jovens começaram a emigrar antes de cumprirem o serviço militar obrigatório, e a PIDE respondeu com um reforço das suas estruturas, recorrendo novamente à tortura e à violência. Incapaz de conter a crescente oposição, sobretudo por parte do Partido Comunista, a polícia política mostrou o seu caráter autoritário e implacável».
A autora destacou ainda que a PIDE possuía uma estrutura «semelhante à do KGB soviético, uma polícia interna e externa do Estado, tendo colaborado com serviços secretos internacionais como a CIA e o BND alemão».
Referindo-se à Revolução de 25 de Abril, Irene Pimentel descreveu-a como «um ato de desobediência e coragem, evocando o célebre episódio do militar que se recusou a disparar sobre Salgueiro Maia durante o golpe de Estado».
Recomendou também a visualização do filme “A Conspiração”, de António-Pedro Vasconcelos, transmitido pela RTP, que retratou as reuniões da PIDE em 1973 e 1974.
Por fim, sublinhou que o 25 de novembro de 1975 constituiu «uma data fraturante na história nacional», reforçando a ideia de que é «uma data que não se comemora, estuda-se», pois decorreu diretamente dos acontecimentos de Abril e ainda hoje levanta muitas questões por esclarecer.
Demonstrou ainda o seu agrado em saber que as sondagens mais recentes revelaram um aumento do orgulho e do reconhecimento da importância do 25 de Abril entre os portugueses, «demonstrando que a memória da revolução continuou viva e em reavaliação constante».
Além da apresentação da obra “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”, a autora surpreendeu com o livro “Relações Perigosas”, que chegou este mês às livrarias.
A sessão com a historiadora e escritora teve as participações da diretora da biblioteca, Manuela Barreto Nunes, de João Luís Nogueira, diretor-geral da EPATV, e Manuel Lopes, em representação da Câmara Municipal de Vila Verde.







