A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, defendeu uma estratégia assente na descentralização, no investimento público e na coesão territorial como resposta aos desafios atuais, durante as comemorações dos 52 anos da Revolução de 25 de Abril de 1974, na freguesia da Lage.
Na intervenção, a autarca sublinhou que o espírito de Abril deve traduzir-se em políticas concretas que promovam o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das populações, defendendo um poder local mais capacitado e próximo dos cidadãos.
Descentralização como eixo da coesão territorial
Júlia Fernandes apontou a descentralização como “pedra de toque” para responder às exigências atuais, defendendo que este processo deve garantir não apenas competências, mas também recursos adequados às autarquias.
A autarca alertou que o país “ainda tem muito caminho a fazer”, sublinhando que a efetiva capacidade de decisão local é essencial para dar resposta “aos anseios e legítimas aspirações das populações, com eficácia e em tempo útil”.
Obras estruturantes e pressão sobre o Governo central
No plano das infraestruturas, a presidente destacou a necessidade urgente de investimentos na rede viária, nomeadamente a variante à sede do concelho e a ligação da Vila de Prado ao Parque Industrial de Oleiros.
Perante sucessivos adiamentos, o município tem avançado com soluções próprias, como o Eixo Norte-Sul, ligando Soutelo a Geme, e novas ligações à zona empresarial, com o objetivo de reduzir congestionamentos e impulsionar a economia local.
A autarca destacou ainda o avanço do estudo da variante à EN101 e o concurso para a requalificação da EN201, entre a Lage e a Vila de Prado, incluindo intervenções há muito reivindicadas.
Desenvolvimento económico e fixação da população
Júlia Fernandes reforçou que o investimento em infraestruturas visa promover a atividade económica, criar emprego e fixar população, sobretudo jovem, nas freguesias do concelho.
“Em Vila Verde, Abril cumpre-se todos os dias”, afirmou, destacando o papel conjunto do município, juntas de freguesia, associações e empresários na construção de um território mais dinâmico e competitivo.
Resposta aos desafios sociais e globais
A autarca apontou ainda os principais desafios atuais, como o envelhecimento da população, a baixa natalidade, as alterações climáticas e as assimetrias regionais, alertando para a necessidade de reforçar políticas sociais e combater a crise habitacional.
Referiu também o contexto internacional de instabilidade e crise económica, defendendo maior proatividade na proteção das populações mais vulneráveis.
Aposta em serviços essenciais e qualidade de vida
Entre as prioridades municipais, destacou o investimento na modernização das redes de abastecimento de água, saneamento e gás, bem como a requalificação da rede viária municipal.
Segundo a autarca, estas intervenções têm impacto direto na qualidade de vida das populações e na atratividade do território para novos investimentos.
Educação, cultura e inovação como pilares do futuro
A educação foi apontada como “pilar fundante do progresso”, com destaque para o investimento na requalificação de escolas e na criação de condições para uma aprendizagem de qualidade.
A par disso, Júlia Fernandes sublinhou a importância de conciliar tradição e modernidade, valorizando o património cultural ao mesmo tempo que se aposta na inovação e no conhecimento.
Apelo à cidadania ativa e aos valores de Abril
Na reta final da intervenção, a presidente da Câmara apelou ao envolvimento de todos na construção de um território mais justo e desenvolvido, defendendo que os valores de Abril exigem “dedicação, resiliência e capacidade de intervenção”.
“Construir um país sustentado nos valores de Abril exige o contributo de todos”, afirmou, sublinhando que o desenvolvimento de Vila Verde deve continuar a colocar “as pessoas em primeiro lugar”.
A intervenção – de acordo com a autarca – “reforça a visão estratégica do município para um concelho moderno, competitivo e coeso, assente numa governação de proximidade e na concretização diária dos ideais da democracia”.










