O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afastou esta quinta-feira qualquer envolvimento na investigação da Polícia Judiciária relacionada com contratos públicos de meios aéreos para combate a incêndios rurais, processo no qual o seu cunhado, Ricardo Leitão Machado, foi alvo de buscas.
Em resposta enviada à agência Lusa, o gabinete do governante sublinhou que António Leitão Amaro “não tem qualquer envolvimento ou relação com a investigação criminal tornada pública” e garantiu igualmente que o ministro “não teve também intervenção em procedimentos de contratação pública de helicópteros”.
O gabinete acrescenta ainda que considera “inadmissível envolver ou culpabilizar alguém por relações familiares”, classificando como “caluniosas” as associações públicas do nome e imagem do ministro ao processo em investigação.
A operação desencadeada esta quinta-feira pela Polícia Judiciária incide sobre suspeitas de corrupção relacionadas com concursos públicos destinados à contratação de meios aéreos para o combate aos incêndios rurais.
Segundo informações avançadas pelo canal NOW e confirmadas à Lusa por fonte ligada ao processo, Ricardo Leitão Machado é um dos principais alvos das diligências, que incluíram buscas à sua residência, no Restelo, em Lisboa, bem como a várias empresas.
O inquérito está a ser conduzido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal, que investiga suspeitas dos crimes de burla qualificada, corrupção ativa e passiva e associação criminosa.
Em comunicado, a Polícia Judiciária refere existirem indícios de que responsáveis de empresas concorrentes terão tido acesso a informações privilegiadas, combinando previamente propostas apresentadas nos concursos públicos, alegadamente em prejuízo dos interesses financeiros do Estado.
As buscas agora realizadas surgem no seguimento da operação “Torre de Controlo”, levada a cabo em maio do ano passado, investigação que resultou na constituição de 12 arguidos — sete pessoas singulares e cinco pessoas coletivas — por suspeitas de corrupção, tráfico de influência, abuso de poder, associação criminosa, fraude fiscal qualificada e burla relacionada com contratos de combate aos incêndios rurais.



