De acordo com os dados divulgados pelo Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, o candidato único obteve 14.467 votos, num universo de 15.261 votos apurados. Registaram-se ainda 525 votos brancos e 269 votos nulos.
No total, estavam inscritos 56.868 militantes com capacidade eleitoral, o que se traduz numa taxa de participação reduzida e numa abstenção superior a 70%, cerca de 73%, segundo as contas internas do partido.
As eleições diretas decorreram em todo o país entre as 14h00 e as 19h00.
Congresso nacional em junho em Anadia
O PSD informou ainda que o 43.º Congresso Nacional, responsável pela eleição dos restantes órgãos nacionais do partido, terá lugar nos dias 20 e 21 de junho de 2026, em Anadia.
Antecipação das diretas e contexto interno
A realização antecipada das eleições diretas foi decidida pelo líder social-democrata no início de março, quando Luís Montenegro, que também exerce funções de primeiro-ministro, propôs a sua realização em maio — em vez de setembro, como em 2024 — de forma a coincidir com o quarto aniversário da sua primeira eleição para a liderança do partido, em 28 de maio de 2022.
Nessa ocasião, Montenegro desafiou militantes com “um caminho diferente e alternativo” a avançarem, numa mensagem interpretada como resposta ao antigo líder social-democrata.
Passos Coelho intensifica críticas
As eleições decorreram num contexto de tensão interna no partido, marcado pelas críticas do antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD, Pedro Passos Coelho.
Embora tenha afastado uma candidatura, afirmando não ser “candidato a coisíssima nenhuma”, Passos Coelho tem intensificado intervenções críticas ao Governo e à atual liderança social-democrata. Recentemente, chegou a comparar “políticos postiços” a “prostitutos sem caráter”, num discurso que ampliou a polémica no espaço político.
Percurso recente de Montenegro no PSD e no Governo
Luís Montenegro foi eleito líder do PSD pela primeira vez em 2022, com cerca de 72% dos votos, derrotando Jorge Moreira da Silva. Em 2024, foi reeleito sem oposição com 97,45%.
Enquanto líder, o PSD venceu duas legislativas antecipadas em coligação com o CDS-PP, regressando ao Governo em abril de 2024. O partido perdeu as eleições europeias desse ano, mas conquistou as autárquicas de 2025 e venceu as eleições regionais na Madeira e nos Açores.
Participação e leitura política
A elevada taxa de abstenção nas diretas contrasta com o expressivo resultado de Montenegro e pode ser interpretada como sinal de menor mobilização interna, apesar da consolidação da sua liderança no partido.
A reeleição antecede agora o congresso nacional de junho, onde serão definidos os restantes órgãos do PSD e poderá ser traçado o rumo político do partido para os próximos anos.



