A mãe da jovem que morreu em 2022 após uma derrocada ter atingido a casa em que morava, em Esposende, vai avançar com uma queixa-crime em tribunal para encontrar respostas para o caso, que vitimou ainda outro jovem.
Na madrugada de 23 de novembro de 2022, Susana Gonçalves e o namorado, Fábio David, ambos de 22 anos, morreram depois de a casa em que ambos dormiam, na freguesia de Palmeira de Faro, em Esposende, ter sido atingida por pedras de grandes dimensões que rolaram após uma derrocada de um terreno sobranceiro.
De acordo com a edição desta segunda-feira do Jornal de Notícias, a mãe da jovem, Ana Bajão, vai avançar com uma queixa-crime contra o então presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira, atual presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), e outras entidades que considera terem falhado antes, durante e após a tragédia.
Três anos decorridos, o cenário permanece intacto na Rua de Artur Barros Lima, onde os blocos gigantes de pedra continuam espalhados pelo terreno, a casa onde tudo aconteceu mantém-se inabitável e outras três moradias continuam interditadas. Duas famílias continuam alojadas com apoio municipal, enquanto a investigação continua sem conclusões.
Ana Bajão garante que não compreende este “silêncio”, o que a levou a avançar para tribunal. “Levanto-me todos os dias a pensar que vou recomeçar e chego ao fim do dia e percebo que não recomecei nada. Os silêncios são os mesmos, o vazio é o mesmo, e a falta que as pessoas fazem é cada vez maior. É um luto não feito porque não há explicação para o que aconteceu”, refere, citada pelo JN.
A mãe de Susana Gonçalves lamenta que a culpa “continue solteira” e acusa várias entidades de terem ignorado alertas prévios. “A Proteção Civil podia ter feito muita coisa para evitar e não fez. Sabiam que aquilo podia acontecer e não fizeram nada”, critica.
Mas a suspeita que mais insiste em ver investigada é a de alegadas explosões no terreno superior, onde existia uma obra. “Eu disse à Polícia Judiciária, horas depois do acontecimento, que cheirava a explosivo e que tinha havido uma explosão. Até hoje ninguém investigou isso. Andaram a fazer um subterrâneo para meter máquinas da piscina e deu asneira. Não foi a primeira noite em que fizeram aquilo”, salientou.
A queixa-crime irá abarcar todo o processo.



