Mais de 700 operacionais de seis países europeus participam, entre hoje e quinta-feira, num exercício internacional de combate a incêndios rurais de grande dimensão, que decorre em Viseu. A iniciativa insere-se no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia e pretende testar a capacidade de resposta conjunta a cenários extremos.
O exercício, designado “PT EUMODEX 2026”, envolve equipas provenientes do Chipre, Chéquia, Espanha, França, Polónia e Portugal. A organização está a cargo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), através do Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Viseu Dão Lafões, em articulação com o consórcio internacional EUMODEX.
O cenário base simula um incêndio rural de grande dimensão, marcado por rápida propagação e elevado impacto em áreas florestais e zonas habitacionais, exigindo uma resposta coordenada entre diferentes países e estruturas operacionais.
Segundo o comandante sub-regional de Viseu Dão Lafões, Miguel Ângelo David, o principal objetivo passa por testar a cooperação internacional, afinar processos de comunicação e reforçar a eficácia dos meios no terreno. “Pretende-se melhorar capacidades operacionais e consolidar modelos de atuação conjunta”, referiu.
Durante o exercício, poderão verificar-se constrangimentos de trânsito em algumas zonas da cidade, nomeadamente no Campo de Viriato, recinto da Feira de São Mateus, onde estarão instalados os oito módulos internacionais — equipas compostas por operacionais e viaturas especializadas.
Uma das vertentes em avaliação será a autossuficiência destes módulos, incluindo aspetos como alimentação, logística, alojamento e rotação de equipas. “Nenhum destes módulos sabe antecipadamente o que vai encontrar. Os cenários são atribuídos no momento da missão”, explicou o responsável, sublinhando a importância da aprendizagem, interoperabilidade e comunicação entre equipas.
Portugal participa com bombeiros, forças de segurança e outros agentes de proteção civil, envolvendo ainda comunidades locais, escolas, instituições e escuteiros em alguns cenários simulados.
Ao contrário de um simulacro tradicional, o exercício decorre de forma contínua, sem interrupções, incluindo períodos noturnos, e com forte enfoque em procedimentos operacionais. No final, os módulos internacionais serão sujeitos a avaliação para efeitos de certificação ou recertificação no âmbito do mecanismo europeu, com equipas de avaliadores presentes em permanência.



