No último Natal enquanto Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa brindou à paz. O Chefe de Estado não falhou a habitual ida à ginja do Barreiro. Mas como ainda está a recuperar da operação a uma hérnia, foi mais cedo do que habitual para evitar encontrar muita gente.
“Estou ainda em recuperação, ainda tenho muitas cicatrizes para cicatrizar, por dentro e por fora, e, por outro lado, também queria evitar um contacto que pudesse dar uma gripe A, que, nesta altura da minha recuperação, não dava jeito nenhum”, admitiu o Presidente da República.
No momento de beber a ginjinha, Marcelo Rebelo de Sousa brinda “ao Barreiro” e “a Portugal”, e deixa desejos de “paz”.
“É fundamental a paz no mundo, porque a paz no mundo e na Europa quer dizer a paz para nós. Quer dizer não termos, no próximo ano e nos anos seguintes, as consequências de não haver paz, económicas, pessoais, sociais”, declarou.
E, perante as últimas complicações que teve, o segundo desejo que deixa é para os portugueses, mas também para o próprio: “Saúde é fundamental. Eu desejo para mim também, agora na recuperação”.
“É muito importante que o próximo ano e os próximos anos sejam de saúde e melhor saúde no nosso país.”
A PANDEMIA E O CASO DAS ‘GÉMEAS’
Este será o último Natal de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, com um novo Chefe e Estado a ocupar o seu lugar no próximo ano. Em jeito de despedida, o Presidente da República faz um balanço do mandato. E revela as maiores dificuldades que atravessou – desde a pandemia ao caso das gémeas.
“Acho que os piores anos foram a pandemia, para todos nós”, afirma. Já em 2023, afirma, conjugou-se uma “tempestade perfeita”, com a demissão de António Costa e uma “crise política”, enquanto, “ao mesmo tempo existe um ataque muito forte, ou pelo menos um silenciado ataque, mas um ambiente muito pesado sobre o Presidente da República”.
“Em 2013 eu cheguei aqui e só se falava das gémeas”, atira. Questionado sobre se já fez as pazes com o filho, após essa polémica, o Presidente responde: “No momento oportuno, isso acontecerá”.
Críticas à demora do Parlamento a eleger conselheiros de Estado
Mas porque mesmo no Natal há espaço para afirmações políticas, o Chefe de Estado criticou a demora do Parlamento em eleger os conselheiros de Estado, frisando que já espera há seis meses, e disse ter convocado uma reunião do órgão consultivo porque a Ucrânia “é um tema fundamental”.
“O Conselho de Estado está sem poder funcionar, à espera da eleição dos conselheiros de Estado pela Assembleia da República há seis meses. A Assembleia está em funções há seis meses e eu tenho esperado há seis meses”, afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa disse não lhe parecer sensato que, “quando se estão a tomar decisões fundamentais sobre a Ucrânia” essas matérias sejam discutidas em Conselho Superior de Defesa Nacional, mas não em Conselho de Estado, quando estão em causa assuntos como “a posição da Europa em termos de apoio financeiro à Ucrânia”, que comprometem o Estado devido à emissão de dívida conjunta europeia, ou “um empenhamento militar ou não português numa hipótese de cessar-fogo”.
“Não é muito natural que o Presidente da República saia de funções sem que o Conselho de Estado, com a composição que tem, que é a legal, não possa apreciar essa matéria. E, portanto, eu esperei por esta eleição, que era para ser no dia 19 de dezembro. Não houve”, afirmou.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou o Conselho de Estado para 9 de janeiro para analisar a situação internacional e, em particular, na Ucrânia. Esta será a primeira reunião do Conselho de Estado, órgão político de consulta do chefe de Estado, desde as eleições legislativas antecipadas de 18 de maio e acontecerá já em período oficial de campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro.
A última reunião do Conselho de Estado realizou-se há mais de oito meses, em 12 de março, para efeitos da dissolução da Assembleia da República, na sequência da reprovação de uma moção de confiança apresentada pelo primeiro Governo PSD/CDS-PP chefiado por Luís Montenegro.



