O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta sexta-feira que quem lhe suceder terá a tarefa mais difícil devido à situação da Europa e do resto do mundo, que descreveu como mais complicada e imprevisível.
«O Presidente próximo encontra o mundo e a Europa numa situação mais complicada do que eu encontrei. Há que fazer essa justiça», declarou o chefe de Estado aos jornalistas, no Beato, onde participou num fórum empresarial com o Presidente da Estónia, Alar Karis.
Marcelo Rebelo de Sousa descreveu a situação global como «de imprevisibilidade enorme, que não havia há 10 anos ou não havia há 15 anos».
«O mundo está mais imprevisível, a Europa está mais imprevisível. Isso torna a política mais difícil, torna as decisões económicas e sociais mais difíceis. Obriga as pessoas, elas próprias, ao pensar na sua vida, a terem preocupações maiores do que tinham antigamente», prosseguiu.
Por isso, na sua opinião, «olhando para o Presidente que vai ser eleito este fim de semana, ou que, pelo menos, a primeira votação será neste fim de semana, é mais difícil a tarefa que ele tem» do que a sua.
Quanto a Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o país não está pior, economicamente, referindo que quando iniciou funções, em 2016, se estava «a sair ainda do processo de défice excessivo e a banca estava muito mal, no sentido de que estava com sinais de necessidade de capitalização e de reformulação».
«Mas o mundo e a Europa estão mais complicados. E, portanto, para Portugal, apesar da situação existente agora e dos fundos europeus, do PRR, que dá uma ajuda nos próximos anos, e do Portugal 2030, apesar dessa situação económica, é evidente que o Presidente vai ter uma situação mais complicada que vem do mundo e da Europa», reforçou.
No último dia de campanha eleitoral para as Presidenciais de domingo, em resposta aos jornalistas, o chefe de Estado manifestou-se a favor de se manter um dia de reflexão, no sábado, «um compasso de espera de 24 horas», em vez de se «avançar imediatamente para o voto».
O Presidente da República argumentou que «as campanhas estão a ser e vão ser cada vez mais intensas» e que, também devido à conjuntura externa, «naturalmente há uma controvérsia e um debate muito mais aceso» e chega-se ao fim das campanhas «de uma forma muito emocional» e «muito confrontacional».
«A vantagem do dia da de reflexão é as pessoas, que então na ponta final, viveram intensamente, minuto a minuto, segundo a segundo, hora a hora, a campanha, poderem respirar, poderem pensar noutras coisas das suas vidas, e haver uma distensão», defendeu.



