A deputada e ex-ministra Mariana Vieira da Silva admitiu a possibilidade de vir a candidatar-se à liderança do Partido Socialista, embora tenha afastado qualquer cenário no curto prazo.
Em entrevista ao programa “Política com Assinatura”, da Antena 1, a socialista afirmou que não se exclui desse caminho político, sublinhando que quem exerce ou exerceu funções governativas não deve afastar totalmente essa hipótese.
“Não me vou excluir para sempre desse caminho”, referiu, acrescentando que essa possibilidade faz parte do percurso de quem ocupa cargos políticos relevantes, ainda que não tenha sido uma ambição pessoal constante. Ainda assim, considerou “pouco provável” que venha a suceder na liderança do partido.
Mariana Vieira da Silva destacou também a pluralidade interna do PS, afirmando que o partido “tem essa riqueza” de opções e quadros políticos.
Saúde e pacto estratégico
Na mesma entrevista, a deputada comentou o Pacto Estratégico para a Saúde, iniciativa associada ao debate sobre o Serviço Nacional de Saúde, mostrando reservas quanto à sua capacidade de resolver problemas estruturais prolongados.
Embora reconheça utilidade em entendimentos políticos alargados, afirmou que não acredita que um pacto isolado consiga resolver décadas de discussão sobre o modelo do Serviço Nacional de Saúde.
Críticas ao ambiente interno do PS
A dirigente socialista comentou ainda intervenções recentes no espaço público de figuras do partido, nomeadamente o regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento, sublinhando que o debate interno deve ser conduzido com maior contenção.
Considerou que a crítica generalizada a militantes e dirigentes não contribui para a estabilidade do partido e alertou para o risco de tensão permanente no seio do PS.
Sobre a derrota eleitoral socialista nas legislativas de 2025, defendeu a necessidade de reflexão interna, rejeitando leituras precipitadas sobre o futuro político de dirigentes.
Críticas à política laboral do Governo
Mariana Vieira da Silva criticou ainda as propostas de alteração à legislação laboral, considerando que representam um retrocesso face a reformas anteriores dos governos socialistas.
Sustentou que mudanças com enfoque no passado legislativo não respondem às necessidades atuais da economia e poderão ser contraproducentes.
A entrevista da ex-ministra surge num momento de debate interno no PS sobre liderança e estratégia política após as últimas eleições legislativas.



