Maus-tratos em Pessoas Idosas

Maus-tratos em Pessoas Idosas

O fenómeno dos maus-tratos em pessoas idosas não é um acontecimento recente nas nossas sociedades. Alguns estudos antropológicos revelaram que já nas civilizações anteriores à época da industrialização existiram famílias que abandonavam ou mesmo matavam os seus idosos. Se nessa época este tipo de prática parecia ser aceite como comum, não se pode dizer que a mesma seja tolerada com naturalidade nos dias atuais. A intolerância aos maus-tratos em pessoas idosas não parece ter seguido o mesmo curso de outros tipos de abuso que se tornaram públicos, como a violência doméstica sobre as mulheres e o abuso de crianças. O primeiro, obteve reconhecimento social a partir do movimento feminista e de grupos ativistas que chamaram a atenção para o papel que a mulher ocupava na família e na sociedade, e para o fenómeno da violência contra as mulheres. No segundo tipo de abuso, o sinal de alarme foi dado pelos pediatras e serviços de saúde, que mostraram uma realidade desconhecida acerca do fenómeno das crianças batidas. A violência em pessoas idosas começou a ganhar visibilidade pública não pela vigência de uma corrente teórica como o feminismo ou por um alerta dos médicos, mas sim através dos profissionais ligados às agências formais de serviço social que começaram a se interessar e a estudar este fenómeno.

O mau trato em pessoas idosas foi descrito pela primeira vez num jornal científico britânico em 1975 por Baker, tendo o artigo como título Granny Battering (“a avó batida/espancada”), que alertava para uma nova forma de violência familiar. Em 1977, surge outro artigo escrito por Burston que lança a seguinte questão aos profissionais de saúde: seus pacientes idosos vivem com medo de serem espancados? (“do your elderly patients live in fear of being battered?”) chamando a atenção para o mau trato físico em pessoas de idade dentro das próprias famílias.

Todos esses estudos contribuíram para que a questão ganhasse relevo, sendo reconhecida como um problema social enquadrado num contexto de rápida mudança social, incluindo mudanças ao nível familiar das normas tradicionais e nas habituais práticas de cuidados.

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No nosso país, foi criado em 1999 o I Plano Nacional contra a Violência Doméstica que incluiu, para além da problemática da violência conjugal e maus-tratos em crianças, um capítulo sobre a temática do abuso em idosos. Desde então a visibilidade sobre esta problemática têm vindo a ganhar maior atenção, sendo atualmente enquadrada ao nível legal e penal como um crime de violência doméstica.

 

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