O Sindicato dos Médicos do Norte, ligado à Federação Nacional dos Médicos, vai marcar presença na concentração convocada pela Comissão de Utentes da Unidade Local de Saúde de Braga, agendada para esta terça-feira, 13 de janeiro. O protesto está marcado para as 15h30, à porta do Hospital de Braga, onde os médicos prometem apresentar publicamente a sua leitura da situação que se vive na unidade.
Segundo a FNAM, um dos problemas centrais passa pela total ausência de informação sobre o plano de contingência em vigor. Os médicos garantem nunca ter tido acesso ao documento e já exigiram ao Conselho de Administração que o torne público com carácter de urgência.
O contexto clínico tem vindo a degradar-se. Nas últimas semanas, multiplicaram-se os cancelamentos de cirurgias não urgentes e a pressão sobre o serviço de Medicina Interna atingiu níveis considerados alarmantes. Na semana passada, o número de doentes internados rondou os 270, mais do dobro da capacidade instalada, fixada em 120 camas. Em alguns turnos, houve equipas responsáveis por cerca de 40 doentes, uma carga de trabalho só parcialmente atenuada através de horas extra e reforços temporários no internamento e na urgência.
A FNAM aponta ainda a inoperacionalidade do equipamento PET/CT, parado há pelo menos dois meses. Sem essa valência, doentes oncológicos estão a ser transportados de ambulância para o Porto para realizar exames, regressando apenas no final do dia. Cada deslocação implica um dia inteiro fora de casa, num período já marcado por tratamentos exigentes.
Outra das críticas incide sobre o recurso a laboratórios privados para a realização de biópsias. De acordo com o sindicato, as análises deixaram de ser feitas no hospital devido a bloqueios no pagamento aos médicos. A federação exige também esclarecimentos sobre a transferência, ao fim de semana, de doentes com aneurismas cerebrais rotos para hospitais do Porto.
Estas opções, sublinham os responsáveis, traduzem-se num aumento significativo da despesa para o Serviço Nacional de Saúde, desde o transporte de doentes altamente complexos até ao pagamento integral dos tratamentos nas unidades de destino. Ao mesmo tempo, alertam para atrasos no acesso a cuidados especializados, com riscos clínicos potencialmente graves.
Para o Sindicato dos Médicos do Norte, a solução não passa por remendos. O que está em causa, defendem, é a necessidade de medidas estruturais: reforçar de forma efetiva as equipas médicas, garantir o pagamento atempado do trabalho realizado, assegurar a qualidade e a segurança dos cuidados e avançar com a transformação do Hospital de Braga em hospital universitário. Um debate que, dizem, já não pode ser adiado.



