Milhares de pessoas continuam sem acesso a água, eletricidade e comunicações na sequência do mau tempo que atingiu o país nos últimos dias, com particular impacto na região Centro. A Proteção Civil alerta para um quadro preocupante, sobretudo na zona de Coimbra, devido ao risco de cheias no rio Mondego, embora assegure que o caudal está a ser controlado.
Na quinta-feira, Coimbra foi o distrito com maior número de ocorrências, registando 375 de um total nacional de 2.050 situações relacionadas com a intempérie. Seguiram-se os distritos da região Oeste. Durante a última madrugada não foram registadas “ocorrências significativas”, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em declarações à agência Lusa pelas 6h30.
Apesar disso, o impacto nas infraestruturas mantém-se elevado. O Governo decretou situação de calamidade em 60 municípios, medida que deverá vigorar pelo menos até domingo. De acordo com a E-Redes, cerca de 300 mil clientes continuavam, nas últimas horas, sem fornecimento de eletricidade, sendo o distrito de Leiria o mais afetado. A empresa refere que existem mais de 700 quilómetros de linhas de alta tensão danificadas em todo o país, não avançando ainda uma previsão para a reposição total do serviço.
As falhas elétricas estão também a provocar interrupções no abastecimento de água e nos serviços de telecomunicações. O secretário de Estado da Proteção Civil, Rio Rocha, admitiu que o sistema SIRESP, rede de comunicações de emergência, pode não ter funcionado em pleno. A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) reconhece que a situação é “complexa”, indicando que milhares de técnicos estão no terreno, mas que muitas infraestruturas ficaram destruídas, dificultando a reposição dos serviços. Em vários locais, a falta de energia elétrica impede igualmente o acesso à internet.
Leiria permanece uma das zonas mais penalizadas, com bairros inteiros privados de eletricidade, água e comunicações. Na Marinha Grande, centenas de habitações, empresas e serviços públicos sofreram danos significativos, tendo parte da zona costeira ficado arrasada. Em Águeda, as chuvas provocaram cheias numa das margens do rio, aumentando a preocupação das autoridades locais.
NOVOS AVISOS METEOROLÓGICOS
No plano meteorológico, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) mantém avisos de mau tempo para esta sexta-feira. Sete distritos — Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa — estão sob aviso laranja devido à agitação marítima. Em Braga, Porto e Viana do Castelo, o aviso passa a vermelho a partir das 21h00, prevendo-se ondas que poderão atingir os 15 metros. Para sábado, os distritos de Beja, Faro e Setúbal estarão sob aviso laranja a partir das 9h00, mantendo-se ainda avisos amarelos em várias regiões por causa da chuva e do vento.
PLANO POLÍTICO
No plano político, o comissário europeu da Energia visita esta sexta-feira as zonas mais afetadas, acompanhado pelo ministro da Presidência e pela ministra do Ambiente. A comitiva inicia a deslocação às 10h15 na Marinha Grande, seguindo depois para o Hospital de Leiria, Hospital da Figueira da Foz e, posteriormente, para o concelho de Pombal.
Em contexto de campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais, André Ventura esteve em Coimbra, considerando “incompreensíveis” as falhas apontadas ao SIRESP. Já António José Seguro afirmou que os concelhos atingidos pela intempérie estão a viver “dias trágicos”, apelando à solidariedade nacional. O candidato presidencial visitou Leiria e a Marinha Grande e admite deslocar-se a outros municípios afetados.
As autoridades reiteram o apelo à população para que mantenha comportamentos preventivos, evite zonas ribeirinhas e costeiras e acompanhe as informações oficiais, numa altura em que o país enfrenta ainda um quadro meteorológico adverso e uma situação operacional considerada exigente.



