A depressão Kristin, classificada pelo IPMA como fenómeno de “ciclogénese explosiva”, provocou centenas de ocorrências durante a madrugada, com especial impacto nos distritos de Coimbra, Leiria, Lisboa e Setúbal. A queda de uma roda gigante na Figueira da Foz é um dos incidentes mais visíveis.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental provocou durante a madrugada um cenário de forte instabilidade meteorológica, marcado por vento intenso, chuva persistente e agitação marítima. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) classificou o fenómeno como “ciclogénese explosiva”, designação atribuída a depressões de rápida intensificação e elevado potencial destrutivo.
A região Centro foi a mais afetada, em particular o eixo entre Coimbra, Aveiro e Leiria, considerado a zona de maior risco. Um dos episódios mais relevantes ocorreu na Figueira da Foz, onde a roda gigante instalada no Parque das Gaivotas caiu devido às fortes rajadas de vento, durante a madrugada. Não há, até ao momento, registo oficial de vítimas nesse incidente.
Entre as 00h00 e as 06h00, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil contabilizou 655 ocorrências relacionadas com a tempestade. Segundo Paulo Santos, responsável da Proteção Civil, a situação foi “muito gravosa”, com maior incidência no distrito de Lisboa, na Península de Setúbal e na região Oeste.
“Tivemos 217 ocorrências no distrito de Lisboa, com exceção do concelho de Lisboa, que é assistido pelos Sapadores Bombeiros, 104 na Península de Setúbal e 82 na região Oeste”, adiantou o responsável, sublinhando que a maioria das situações registadas diz respeito à queda de árvores e de estruturas.
No distrito de Leiria, registaram-se “danos em edifícios, feridos e falhas nas telecomunicações e no fornecimento de energia elétrica”, estando vários meios de socorro mobilizados para o terreno.
Em Lisboa, fonte do Regimento de Sapadores Bombeiros indicou à agência Lusa que, entre as 03h00 e as 05h00, foram registadas 37 quedas de árvores na Grande Lisboa. “Neste momento, não conseguimos fazer uma contabilização mais concreta. Temos muitas situações de quedas de árvores. Na Segunda Circular há duas ocorrências ativas”, referiu a mesma fonte.
A Proteção Civil confirmou ainda a existência de estradas cortadas em várias regiões e interrupções no fornecimento de eletricidade, sobretudo nas zonas mais expostas ao vento.
Apesar da intensidade do fenómeno no Centro e Sul do país, o Minho escapou aos efeitos mais severos da depressão Kristin, registando apenas precipitação moderada e vento sem expressão significativa quando comparado com as regiões mais afetadas.
Portugal continental encontra-se sob vários avisos meteorológicos emitidos pelo IPMA, devido à combinação de vento forte, chuva, possibilidade de neve nas terras altas e agitação marítima. A Proteção Civil mantém o estado de prontidão especial de nível 4 — o máximo — em toda a faixa costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, face à evolução da depressão meteorológica.
As autoridades apelam à população para que evite deslocações desnecessárias, tenha atenção à queda de árvores e estruturas e acompanhe as indicações da Proteção Civil e do IPMA.
[email protected] / Foto-Legenda: Na Figueira da Foz, onde a roda gigante instalada no Parque das Gaivotas caiu devido às fortes rajadas de vento



