O ministro da Educação, Fernando Alexandre, admitiu a existência de falhas no processo de correção digital dos exames nacionais do Ensino Secundário e evitou garantir que todas as classificações serão divulgadas na data prevista, a 17 de julho. Apesar dos constrangimentos registados, o governante assegurou que o modelo digital será mantido, considerando que representa uma evolução necessária para o sistema educativo.
Em entrevista à CNN Portugal, Fernando Alexandre reconheceu que a implementação do novo sistema enfrentou dificuldades técnicas e operacionais, sublinhando que o Ministério da Educação está a trabalhar para resolver os problemas identificados.
“Estamos a fazer tudo” para que o calendário inicialmente previsto seja cumprido, afirmou o ministro, embora tenha ressalvado que as notas apenas serão divulgadas quando existir total garantia de que refletem corretamente o desempenho dos alunos.
O governante classificou o processo como “muito complexo” e admitiu que a transição para a correção digital poderia ter sido realizada de forma mais gradual. A declaração surge numa altura em que continuam a multiplicar-se relatos de professores sobre dificuldades de acesso e funcionamento da plataforma utilizada para a classificação das provas.
Governo mantém aposta na digitalização
Apesar das críticas, Fernando Alexandre reiterou que a correção digital dos exames nacionais é um modelo que “veio para ficar”. O ministro defendeu que a escola deve acompanhar a evolução tecnológica e aproveitar as ferramentas digitais disponíveis, rejeitando um regresso aos métodos tradicionais.
Segundo o responsável pela tutela da Educação, cerca de 12 mil professores já participaram no processo de correção. O Ministério está agora a proceder à identificação das falhas verificadas e prevê a realização de uma auditoria para avaliar todo o procedimento e evitar problemas semelhantes em futuras edições.
Professores denunciam persistência de problemas
As críticas ao sistema continuam, contudo, a surgir por parte dos docentes. Alguns classificadores relatam dificuldades no acesso à plataforma digital, enquanto outros afirmam não ter provas disponíveis para corrigir, apesar de estarem devidamente credenciados para o efeito.
As preocupações não são inéditas. Em 2025, a digitalização do Exame Nacional de Filosofia já tinha sido alvo de contestação por parte da Associação de Professores de Filosofia e de várias estruturas sindicais, que denunciaram problemas técnicos e falhas no acesso ao sistema. Na altura, o Ministério da Educação considerou, ainda assim, que a experiência-piloto tinha produzido resultados positivos.
Parlamento acompanha situação
A polémica chegou também à esfera política. O presidente da Assembleia da República rejeitou um pedido de debate de urgência apresentado pelo Chega sobre os problemas registados nos exames nacionais. Por sua vez, o PSD manifestou abertura para a realização de audições parlamentares destinadas a esclarecer as falhas verificadas.
Questionado sobre uma eventual responsabilidade política e sobre a possibilidade de colocar o cargo à disposição, Fernando Alexandre não respondeu diretamente. O ministro limitou-se a afirmar que a equipa governativa continua empenhada na resolução dos problemas e reiterou a importância estratégica da Educação para o país.
Estado poderá indemnizar famílias prejudicadas
Uma das declarações mais relevantes da entrevista incidiu sobre a possibilidade de compensar financeiramente famílias que possam vir a ser afetadas por alterações no calendário dos exames.
Fernando Alexandre afirmou que, caso se verifiquem mudanças que provoquem prejuízos comprovados — nomeadamente relacionados com férias já marcadas ou outras despesas assumidas —, o Estado deverá ressarcir os lesados, enquadrando essa possibilidade nos mecanismos legais existentes.
Entretanto, a contestação ao processo de realização e correção dos exames continua a ganhar expressão. A petição pública que pede a anulação dos exames nacionais deste ano já ultrapassou as 6.300 assinaturas, refletindo a preocupação de alunos, pais e professores perante os problemas registados na transição para o novo modelo digital.



