O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Luís Montenegro, anunciou esta noite a antecipação das eleições diretas no partido para o mês de maio, depois de concluído o atual ciclo eleitoral. A decisão foi comunicada durante a reunião do Conselho Nacional, onde o dirigente social-democrata lançou também um apelo à clarificação interna da liderança.
Sem nomear diretamente eventuais opositores, Montenegro deixou um desafio político que foi interpretado como tendo como destinatário o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que nos últimos meses tem sido apontado como possível alternativa na liderança do partido.
“O PSD precisa de estabilidade e de uma liderança legitimada em tempo útil para preparar os próximos desafios políticos”, afirmou Montenegro, sublinhando que a antecipação das diretas visa “evitar ambiguidades” e permitir que o partido se concentre na oposição ao Governo e na preparação das próximas eleições legislativas.
O líder social-democrata defendeu ainda que o momento escolhido é o mais adequado para “dar a palavra aos militantes” e reforçar a coesão interna, garantindo que o partido estará preparado para apresentar uma alternativa governativa credível.
A antecipação das diretas surge num contexto de crescente debate interno sobre a estratégia do PSD e o seu posicionamento político, após resultados eleitorais considerados insuficientes por vários setores do partido. Nos bastidores, tem sido referida a possibilidade de um regresso de Passos Coelho à primeira linha da política ativa, cenário que Montenegro procura agora clarificar com a convocação do ato eleitoral interno.
O calendário definitivo das eleições diretas deverá ser formalizado nas próximas semanas pelos órgãos nacionais do partido, estando prevista a abertura de um período para apresentação de candidaturas e realização de debates internos antes da votação dos militantes.



