Morreu esta quinta-feira Noelia Castillo, a jovem espanhola de 25 anos que aguardava há mais de 600 dias pela realização da eutanásia, após um processo prolongado por sucessivas batalhas judiciais.
Segundo o jornal El País, Noelia morreu no lar de idosos de Sant Pere de Ribes, onde se encontrava a residir. O seu pedido de morte medicamente assistida tinha sido aprovado em julho de 2024, após avaliação de uma comissão independente que confirmou um quadro de sofrimento físico e psicológico persistente.
O processo, contudo, arrastou-se por 601 dias devido à oposição do pai, que recorreu a várias instâncias judiciais para impedir a concretização da decisão. Representado por uma associação de advogados de matriz religiosa, viu os seus argumentos rejeitados por cinco tribunais. O último recurso foi recusado poucas horas antes da realização da eutanásia.
A jovem encontrava-se paraplégica desde 2022, na sequência de uma tentativa de suicídio após episódios de violência sexual que relatou publicamente. Ao longo dos últimos anos, descreveu um sofrimento contínuo, agravado por um contexto familiar difícil e por problemas de saúde mental.
Na véspera da morte, passou a noite acompanhada pela mãe e, nas horas que antecederam o procedimento, esteve com outros familiares. Em declarações anteriores ao programa televisivo “Y ahora Sonsoles”, Noelia afirmou que desejava enfrentar o momento final sem a presença de familiares e “morrer bonita”, revelando a intenção de se preparar para esse momento com cuidado.
A associação que apoiou judicialmente o pai reagiu à morte com críticas à legislação sobre eutanásia em Espanha, apontando alegadas falhas na proteção de pessoas vulneráveis.
Ya se le ha ejecutado la eutanasia a Noelia. Pedimos oraciones por su alma y su familia. Descanse en paz. pic.twitter.com/5eqTbJv6iF
— Abogados Cristianosﻦ (@AbogadosCrist) March 26, 2026
O caso de Noelia Castillo tornou-se um dos mais mediáticos em Espanha desde a legalização da eutanásia, em 2021, reacendendo o debate público sobre os limites, critérios e implicações éticas da morte medicamente assistida.



