O número de mortes em França aumentou 29,1% durante a semana de 22 a 28 de junho, período que coincidiu com o pico da vaga de calor excecional que atingiu o país. Os dados foram divulgados esta sexta-feira pela Saúde Pública de França, que contabilizou 2.025 óbitos adicionais face à semana anterior, alertando, no entanto, que os números são provisórios e poderão estar subestimados.
Segundo o organismo, foram registados 8.973 óbitos certificados eletronicamente naquele período, um sistema que cobre cerca de 60% da mortalidade nacional e cuja representatividade varia consoante o local onde ocorre o falecimento.
A região da Île-de-France, onde se localiza Paris, registou o maior agravamento, com um aumento de 62% no número de mortes. A região de Pays de la Loire, no oeste do país, apresentou igualmente uma subida significativa da mortalidade.
A ministra da Saúde francesa, Stéphanie Rist, destacou que um dos aspetos mais preocupantes foi o aumento de 91% das mortes ocorridas em casa, em comparação com a semana anterior. Segundo a governante, esta realidade evidencia o impacto das temperaturas extremas sobre a população mais vulnerável, sobretudo em habitações sem condições adequadas para enfrentar o calor intenso.
Os dados mostram ainda que o aumento da mortalidade incidiu maioritariamente sobre pessoas com 45 ou mais anos, faixa etária que concentrou cerca de 2.001 dos óbitos adicionais registados durante a semana analisada.
Além das mortes em domicílio, verificou-se também um aumento de 37% dos óbitos em lares de idosos e de 19,7% nas unidades de saúde.
As autoridades sublinham, contudo, que os números agora divulgados não representam a totalidade dos óbitos ocorridos no país. Apenas cerca de um quarto das mortes em casa são certificadas eletronicamente, pelo que o impacto real da vaga de calor poderá ser superior ao agora estimado. Os dados consolidados sobre o excesso de mortalidade deverão ser conhecidos nas próximas semanas.
A vaga de calor que atingiu França durante cerca de dez dias foi uma das mais intensas alguma vez registadas no país, com três dos dias mais quentes da história recente. Durante esse período, os serviços de emergência reportaram um aumento expressivo das intervenções por insolação e desidratação.
Apesar da intensidade do fenómeno, as autoridades consideram que os seus efeitos sanitários foram menos graves do que os da histórica vaga de calor de 2003, que provocou cerca de 15 mil mortes, sobretudo entre a população idosa. Ainda assim, as previsões apontam para a continuação de temperaturas elevadas durante o fim de semana, mantendo-se o estado de vigilância por parte das autoridades de saúde.



