A mulher do primeiro-ministro de Espanha, Begoña Gómez, poderá vir a sentar-se no banco dos réus, depois de um juiz de instrução de Madrid ter decidido avançar com a sua pronúncia por quatro crimes, no final de uma investigação que durou cerca de dois anos.
No despacho agora conhecido, o juiz Juan Carlos Peinado propõe que Begoña Gómez seja julgada por um júri popular pelos crimes de tráfico de influências, corrupção nos negócios, desvio de fundos públicos e apropriação indevida.
Além da mulher de Pedro Sánchez, o magistrado sugere ainda que sejam levados a julgamento a assessora Cristina Álvarez e o empresário Juan Carlos Barrabés, no âmbito do mesmo processo.
Defesas e Ministério Público dispõem agora de cinco dias para se pronunciarem, cabendo a decisão final sobre a realização do julgamento a outro juiz. Durante a fase de instrução, o Ministério Público defendeu o arquivamento do caso.
Segundo o despacho, parte das suspeitas está relacionada com uma “cátedra” associada à Universidade Complutense de Madrid, onde o juiz entende terem existido decisões públicas favoráveis desde que Pedro Sánchez assumiu o cargo, em 2018.
No que diz respeito à alegada corrupção nos negócios, o magistrado sustenta que terão sido mobilizados fundos privados que não foram destinados à atividade académica, mas antes integrados no património pessoal, apontando também para possíveis contrapartidas associadas a concursos públicos.
A acusação de desvio de fundos públicos prende-se com o papel da assessora Cristina Álvarez, que, sendo funcionária da Presidência do Governo, terá desempenhado funções ligadas à atividade profissional de Begoña Gómez. Já o alegado crime de apropriação indevida está relacionado com o uso de um software desenvolvido no âmbito da referida cátedra.
A investigação teve início em abril de 2024, na sequência de denúncias apresentadas por associações como Manos Limpias e Hazte Oír, consideradas próximas da direita e extrema-direita. Begoña Gómez foi ouvida várias vezes e negou sempre qualquer irregularidade.
O caso tem tido forte impacto político em Espanha. Em 2024, Pedro Sánchez admitiu ponderar a demissão, alegando ser alvo, juntamente com a família, de uma “campanha de difamação”. Mais recentemente, criticou a atuação de alguns setores da justiça, considerando que há juízes a “fazer política”.
A eventual ida a julgamento de Begoña Gómez representa um novo desenvolvimento num caso que continua a marcar o panorama político espanhol, num momento de elevada polarização.



