A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse esta sexta-feira que não se demite do cargo, depois de ter sido confrontada com o caso de uma grávida que morreu durante a madrugada na Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra.
“Não, não me demito”, afirmou Ana Paula Martins, que está a ser ouvida no Parlamento no âmbito da apreciação na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026), após ser questionada pela deputada do Chega Marta Silva.
A ministra disse que a grávida guineense que morreu após uma cesariana de emergência, no Hospital Amadora-Sintra, teve uma primeira consulta no SNS no dia 29 de outubro, quando realizou uma “consulta de rotina”.
A deputada do Chega recordou o pedido de demissão da antiga ministra da Saúde, Marta Temido, em agosto de 2022, na sequência da morte de uma grávida.
“Nessa altura, o PSD foi o primeiro a exigir responsabilidades políticas imediatas. Hoje, perante esta tragédia que se repete, onde é que está essa exigência? Onde está a coerência? (…) O Governo que prometeu devolver confiança ao SNS vai ou não assumir responsabilidade política por esta morte?”, assinala Marta Silva na interpelação à atual ministra.
Em causa está a morte de uma mulher na madrugada desta sexta-feira à noite no Hospital Amadora-Sintra depois de dar à luz. Tinha estado na unidade durante a tarde por causa de um episódio de hipertensão, mas terá sido mandada para casa com consulta marcada. A Inspeção-Geral das Atividade em Saúde (IGAS) já abriu um inquérito.
A ministra da Saúde afirmou ainda no Parlamento que os partos que têm ocorrido fora dos hospitais estão acima de tudo relacionados com gravidezes que não foram seguidas no Serviço Nacional de Saúde.
Na intervenção inicial, a ministra da Saúde explicou ainda como o executivo pretende cortar mais de 200 milhões de euros em despesa com medicamentos e material de consumo clínico.
Ana Paula Martins argumentou que o Governo pretende garantir a sustentabilidade do setor e que o Orçamento de 2026 marca “uma transição” após o ciclo de “expansão” entre 2021 e 2025. Passa-se agora para uma fase de “recalibração da despesa, com foco na eficiência e sustentabilidade”.