A Polícia Judiciária deteve oito pessoas, cinco homens e três mulheres, no âmbito de uma operação que desmantelou um alegado esquema de burlas milionárias associado à venda fraudulenta de imóveis de luxo.
A ação, conduzida pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, decorreu na terça-feira e resultou ainda na detenção em flagrante de um homem por posse de armas proibidas. Os suspeitos, com idades entre os 26 e os 62 anos, são indiciados pela prática de crimes de burla qualificada, branqueamento de capitais, associação criminosa e falsificação de documentos, entre outros ilícitos.
A investigação teve origem em queixas apresentadas em julho de 2025 por cidadãos estrangeiros titulares de Autorizações de Residência por Investimento — conhecidos como “vistos gold” — que denunciaram a venda dos seus imóveis em Portugal sem o seu conhecimento ou consentimento. As habitações, geralmente desocupadas por os proprietários residirem no estrangeiro, eram colocadas no mercado em nome destes, de forma fraudulenta.
Segundo a Polícia Judiciária, o grupo recorria a documentação falsa, incluindo documentos de identificação, procurações e comprovativos de pagamento, que eram apresentados a advogados e solicitadores para autenticação. Posteriormente, os contratos eram submetidos eletronicamente ao registo predial, permitindo a transferência da propriedade para identidades fictícias ou inexistentes.
Após assumirem o controlo dos imóveis, os suspeitos alteravam as fechaduras e tentavam vender rapidamente as propriedades por valores abaixo do mercado, recorrendo a investidores ou mediadoras imobiliárias. Em alguns casos, antes da venda final, os imóveis eram novamente transferidos entre identidades falsas, reforçando a complexidade do esquema.
Os montantes obtidos eram depois alvo de um elaborado processo de branqueamento, que incluía a compra e venda de viaturas de gama alta e transferências bancárias fracionadas entre contas associadas a várias sociedades controladas pelo grupo.
De acordo com as autoridades, o principal suspeito liderava a operação, envolvendo outros elementos que atuavam sob a sua orientação direta, tendo como principal fonte de rendimento os proveitos ilícitos deste esquema.
No âmbito da operação “Chave Dourada”, foram realizadas dez buscas domiciliárias e não domiciliárias na região de Lisboa, com apreensão de documentação falsa, equipamentos informáticos e de telecomunicações, dinheiro e automóveis de luxo.
Até ao momento, a investigação permitiu recuperar vários imóveis e apreender vantagens patrimoniais significativas, incluindo cerca de 1,5 milhões de euros em contas bancárias.
Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das respetivas medidas de coação, enquanto o inquérito prossegue sob coordenação do Ministério Público.



