O Infarmed aprovou a comparticipação do medicamento Ozempic (semaglutido) para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2, obesidade e elevado risco cardiovascular, alargando de forma significativa o acesso a uma terapêutica considerada inovadora no controlo metabólico e na prevenção de complicações graves.
Até agora, o acesso comparticipado ao fármaco era limitado a um grupo restrito de doentes, sobretudo no âmbito do tratamento da diabetes. Com esta decisão, a autoridade nacional do medicamento estima que o número de beneficiários possa triplicar, permitindo que mais pessoas tenham acesso a uma opção terapêutica que tem demonstrado eficácia na redução da glicemia, do peso corporal e do risco de eventos cardiovasculares.
O Ozempic pertence à classe dos agonistas do recetor GLP-1, sendo utilizado semanalmente por via injetável. Estudos clínicos têm vindo a demonstrar benefícios não só no controlo da diabetes tipo 2, mas também na diminuição do risco de enfarte do miocárdio e acidente vascular cerebral em doentes com elevado risco cardiovascular, bem como na perda ponderal em doentes com obesidade.
A decisão do Infarmed surge na sequência da avaliação clínica e económica do medicamento, tendo em conta o impacto na saúde pública e a relação custo-benefício. A comparticipação aplica-se a doentes adultos que cumpram critérios clínicos definidos, devendo a prescrição ser efetuada de acordo com as orientações das autoridades de saúde.
Especialistas consideram que esta medida representa um avanço relevante no combate à diabetes tipo 2 e à obesidade, duas patologias com elevada prevalência em Portugal e fortemente associadas a doenças cardiovasculares. Dados recentes indicam que uma parte significativa da população adulta apresenta excesso de peso ou obesidade, fatores que aumentam o risco de complicações graves e mortalidade precoce.
Com este alargamento da comparticipação, o Governo e o Infarmed pretendem reforçar a resposta do SNS às doenças crónicas, promovendo o acesso a tratamentos mais eficazes e contribuindo para a redução de internamentos e de custos associados às complicações da diabetes e das doenças cardiovasculares.



