O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho classificou como “absurda e irrealista” a proposta do Chega de baixar a idade da reforma, criticando aquilo que considera ser uma abordagem de “populismo em excesso” no debate político.
As declarações foram feitas durante uma intervenção à porta fechada na Nova School of Business and Economics, perante estudantes, numa sessão dedicada ao tema “Portugal e o Futuro”, segundo relatos citados pela agência Lusa.
Passos Coelho afirmou que o atual Governo liderado por PSD e CDS-PP tem demorado “demasiado tempo” a apresentar resultados, embora tenha destacado como exceção a tentativa de reforma da legislação laboral, que considerou surgir de forma isolada no debate político.
Sobre a posição do Chega, o antigo líder social-democrata criticou a exigência do partido liderado por André Ventura de condicionar o apoio parlamentar a uma descida da idade da reforma. “Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma”, afirmou.
Ao longo da sessão, Passos Coelho voltou também a abordar o tema da sustentabilidade da Segurança Social, alertando para problemas estruturais que, na sua perspetiva, continuam por resolver, e apontou dificuldades na integração de imigrantes e fragilidades no modelo fiscal, criticando em particular o IRS Jovem.
No plano político, o antigo primeiro-ministro reiterou que não procura qualquer regresso à vida ativa, considerando que seria “um mau sinal” ter de ser “retirado do baú” para funções públicas. Ainda assim, recusou fechar definitivamente a porta ao futuro.
“Não acho provável que isso aconteça”, afirmou, sublinhando que o país mudou desde a sua saída do Governo em 2015 e que há outras pessoas com melhores condições para exercer funções políticas.
Passos Coelho afirmou ainda não ter interesse numa candidatura à Presidência da República, considerando que um eventual regresso ao poder só ocorreria em último recurso.
Durante a intervenção, recordou ainda conversas com o atual primeiro-ministro em 2023 e deixou críticas ao funcionamento do sistema político, apontando tendências de gestão quotidiana do poder e de clientelismo.
Apesar das reservas, o antigo líder do PSD deixou claro que não fecha totalmente a porta a um regresso, embora considere esse cenário pouco provável.



