O Santuário de Fátima acolheu esta quarta-feira cerca de 180 mil peregrinos na Missa Internacional da Peregrinação Aniversária de 13 de maio, marcada por um forte apelo à missão, à fraternidade e à construção da paz.
Na homilia da celebração, o D. Rui Valério afirmou que “Fátima não é um ponto de chegada. Fátima é um ponto de envio”, desafiando os fiéis a levarem a mensagem da Cova da Iria para o quotidiano.
“Não basta admirar Fátima. É preciso viver Fátima. Não basta acender uma vela. É preciso tornar-se luz”, afirmou o Patriarca de Lisboa perante a multidão reunida no Recinto de Oração.
Ao longo da celebração, D. Rui Valério sublinhou que a paz mundial não pode ser vista apenas como resultado de acordos políticos, defendendo antes uma transformação interior das pessoas e das comunidades.
“O cristão não leva ao mundo apenas palavras. Leva uma luz recebida. Leva um coração transformado”, referiu, considerando Fátima “uma escola de transformação interior”.
O responsável católico apelou ainda aos peregrinos para assumirem gestos concretos de esperança, reconciliação e solidariedade.
“Partimos para levar esperança aos desanimados, reconciliação onde há divisão e paz onde há violência”, afirmou.
No dia em que se assinalaram também os nove anos da canonização dos Francisco Marto e Jacinta Marto, o Patriarca apontou os dois pastorinhos como exemplo de fé e disponibilidade.
“Quando Deus encontra um coração disponível, uma pequena chama pode iluminar o mundo inteiro”, declarou.
A celebração ficou igualmente marcada por um forte apelo à fraternidade universal. D. Rui Valério considerou que uma das principais mensagens de Fátima para o mundo atual passa pela redescoberta da humanidade como “família”.
“Aqui ninguém é estrangeiro. Aqui ninguém está sozinho. Aqui todos somos filhos acolhidos pela mesma Mãe”, afirmou.
Durante o momento de adoração eucarística, a Irmã Inês Vasconcelos dirigiu uma mensagem especial aos doentes presentes na Cova da Iria e aos que acompanharam as cerimónias à distância, evocando Nossa Senhora como “refúgio, guia e força” nos momentos de sofrimento.
Na palavra final, o D. José Ornelas agradeceu a presença do Patriarca de Lisboa e reforçou o apelo à construção de um mundo mais humano e fraterno.
“Que o Coração de Maria transforme o nosso coração”, afirmou o bispo, defendendo uma sociedade marcada pela justiça, fraternidade e paz.
A Eucaristia deste 13 de maio assinalou também os 45 anos do atentado contra o João Paulo II, tendo sido utilizado na celebração o cálice oferecido pelo pontífice polaco ao Santuário de Fátima.
Em Roma, o Leão XIV evocou igualmente a peregrinação durante a audiência geral no Vaticano, destacando a presença de fiéis oriundos dos cinco continentes como sinal da procura de “consolação, unidade e esperança”.
Segundo o Santuário de Fátima, participaram nas celebrações dos dias 12 e 13 de maio cerca de 430 mil peregrinos provenientes de vários países do mundo.











