O preço do petróleo Brent registou uma queda superior a 6% na abertura da sessão desta terça-feira, recuando para cerca de 92 dólares por barril, após declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito com o Irão está “praticamente terminado”.
Pelas 07h00 (06h00 em Lisboa), o barril de Brent crude, referência para o mercado europeu, desvalorizava 6,53% face ao fecho de segunda-feira, negociando nos 92,44 dólares no mercado internacional.
A descida surge depois de uma sessão anterior marcada por forte volatilidade. Na segunda-feira, o Brent encerrou a negociação no mercado de futuros de Londres com uma subida de 6,76%, terminando nos 98,96 dólares por barril.
Durante essa sessão, o crude do Mar do Norte chegou mesmo a ultrapassar os 118 dólares, níveis que não eram observados desde 2022, na sequência da Invasão russa da Ucrânia em 2022. Contudo, o preço acabou por recuar antes do fecho.
A queda acentuada nas cotações ocorreu depois de Trump afirmar, numa entrevista à CBS, que o conflito com o Irão está perto do fim e que pretende “assumir o controlo” do estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Também o petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) registava perdas significativas. Antes da abertura oficial do mercado dos Estados Unidos, o WTI recuava 6,05%, para 89,04 dólares por barril.
O atual conflito teve início a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, durante a qual morreu o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no poder desde 1989.
Em resposta, Teerão anunciou o encerramento do Estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel e contra bases norte-americanas e infraestruturas militares e energéticas em vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes envolvendo projéteis iranianos foram ainda registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início das hostilidades, o balanço do conflito ultrapassa já os mil mortos, a maioria de nacionalidade iraniana, num cenário que continua a gerar forte instabilidade geopolítica e volatilidade nos mercados energéticos globais.



