A Polícia Judiciária (PJ) deteve 15 pessoas em território nacional suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, burla qualificada, burla informática e branqueamento de capitais, no âmbito de uma investigação que identificou um esquema que terá movimentado ilegalmente cerca de 30 milhões de euros.
Em comunicado, a PJ explica que a investigação incidiu sobre uma organização criminosa de caráter transnacional, gerida a partir do estrangeiro e alegadamente controlada por cidadãos angolanos e brasileiros.
De acordo com a autoridade, o grupo recorria ao sistema bancário nacional e internacional para movimentar sucessivas contas bancárias, disponibilizando aquilo que descreve como um verdadeiro “serviço de branqueamento” a outras estruturas criminosas.
Segundo a investigação, mediante o pagamento de uma taxa que podia atingir até 50% do montante a branquear, a organização criava cadeias sucessivas de contas bancárias domiciliadas em vários países e tituladas por diferentes pessoas, assegurando o retorno aparentemente “limpo” dos proveitos ilícitos.
As autoridades apuraram que, através deste esquema, foram movimentados cerca de 30 milhões de euros, dos quais 2,5 milhões correspondem a prejuízos causados a vítimas já identificadas, a maioria residentes no espaço europeu.
Além das 15 detenções efetuadas em Portugal, foram ainda realizadas duas detenções em Espanha e uma em França, no cumprimento de mandados de detenção europeus.
No âmbito da operação, denominada “Almocreve”, a PJ realizou 41 buscas domiciliárias e não domiciliárias nos municípios do Porto, Castelo de Paiva, Leiria, Entroncamento, Loures, Odivelas, Seixal, Barreiro e Montijo.
Durante as diligências foram apreendidas duas viaturas de alta gama, cerca de 220 mil euros em numerário, documentação relacionada com a investigação, material informático, cartões bancários e cartões de telecomunicações, além de diversas contas bancárias associadas ao esquema.
A operação envolveu mais de 200 inspetores da PJ e contou com a colaboração da Europol. As diligências foram acompanhadas por magistrados do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto, entidade responsável pela titularidade do inquérito.
Os detidos serão agora presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação das medidas de coação consideradas adequadas.



