Desde o raiar da manhã, está a decorrer a vindima e ‘Lagarada Tradicional’ do Samiguel de Cabaços, Ponte de Lima. «O povo trabalhador e honrado reuniu-se no adro da igreja para, em conjunto, se encaminharem para o passal, local da colheita e da alegria da vindima», destaca a paróquia local.
Durante a manhã, decorre a vindima.
«Ao fim da manhã os jornaleiros e jornaleiras trazem os cestos carregados de uvas. Tanto a vindima como o cortejo que sai do passal são feitos em ambiente de alegria e festa», vinca.
Do passal o fruto vindimado é levado para o adro, onde, pelo pároco é feita a oração de bênção e de ação de graças ao Criador pela abundância dos frutos da terra.
Após esse momento de piedade, os camponeses dirigem-se à residência paroquial, onde irão almoçar, «pois como diziam os antigos: o povo “onde canta ali janta”».
LAGARADA À NOITE
A tarde é preenchida com o resto da vindima e com a preparação do lagar para receber aquilo que originou o suor e a festa do povo.
Depois de cearem na taberna do adro, que confeciona os alimentos tradicionais das casas dos camponeses do século XX, às 21h47 tem início a Lagarada.
Saindo do adro, continua o cortejo festivo até ao campo da constantina.
Chegados lá, descarregam o peso dos seus ombros, baixando os cestos: e então dá-se início à produção do vinho, “fruto da videira e do trabalho do homem”.
Tudo é feito segundo os métodos tradicionais: as uvas são pisadas pelos pés descalços no lagar ou raladas pela força dos braços na raladeira. Para as pessoas que se voluntariem para pisar as uvas, há um espaço para lavarem bem os pés com sabão rosa…
O vinho é sinal de festa e alegria. Por isso a lagarada será cheia de animação: os mais velhos ensinam aos mais novos os métodos de produção do néctar, os ritmos da pisada, a linguagem das cantigas.
«Convidam-se os tocadores de concertina para a lagarada e convidam-se os jovens para os momentos que se seguem, animados por um DJ», convida.












