Portugal e mais sete países membros da NATO emitiram uma declaração conjunta a reafirmar que a Gronelândia integra o território da Aliança Atlântica, reagindo a recentes declarações de responsáveis norte-americanos sobre uma eventual ocupação do território autónomo da Dinamarca.
No comunicado, subscrito por Portugal, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca, os signatários sublinham que “a segurança no Ártico continua a ser uma prioridade fundamental para a Europa e é crucial para a segurança internacional e transatlântica”, acrescentando que “o Reino da Dinamarca – incluindo a Gronelândia – faz parte da NATO”.
Os oito países exigem ainda que os Estados Unidos respeitem os princípios da Carta das Nações Unidas, nomeadamente a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. A posição foi também partilhada publicamente pelo Governo português e pelo primeiro-ministro Luís Montenegro.
Assinada por chefes de Governo e de Estado, a declaração surge na sequência de afirmações do presidente norte-americano Donald Trump e de outros responsáveis dos EUA sobre a Gronelândia, território que, apesar de autónomo, integra o Reino da Dinamarca.
O comunicado recorda igualmente que a segurança no Ártico deve ser assegurada de forma coletiva e articulada no seio da NATO, descrevendo os Estados Unidos como “um parceiro essencial”, mas lembrando que existe um acordo de Defesa entre a Dinamarca e os EUA em vigor desde 1951.
Na segunda-feira, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que um eventual ataque dos Estados Unidos à Gronelândia representaria “o fim de tudo, incluindo da NATO”, enquanto o primeiro-ministro gronelandês, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou qualquer intenção norte-americana de ocupação.
A declaração conjunta foi divulgada numa altura em que decorre, em Paris, no Palácio do Eliseu, uma reunião da Coligação da Boa Vontade, dedicada à situação da guerra na Ucrânia.



