Ministra da Administração Interna reuniu-se com a Proteção Civil para coordenar resposta a um novo período de mau tempo persistente. Barragens no limite obrigam a descargas controladas e Coimbra já ativou plano de evacuação.
O território continental enfrenta, a partir da noite deste domingo, um novo agravamento das condições meteorológicas que deverá prolongar-se por, pelo menos, dez dias. Após a passagem devastadora da depressão Kristin, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva persistente e vento forte, com especial incidência nas regiões Norte e Centro.
Perante o cenário de solos saturados e barragens com níveis de armazenamento muito elevados, a Ministra da Administração Interna reuniu-se hoje com a Comissão Nacional de Emergência e Proteção Civil.
O objetivo é antecipar a resposta a cheias rápidas e inundações em zonas ribeirinhas, uma vez que a necessidade de efetuar descargas controladas em albufeiras como a da Aguieira já está a elevar o caudal do rio Mondego.
Em Coimbra, as autoridades locais não escondem a preocupação. A autarquia já delineou um plano de evacuação preventivo para as zonas mais vulneráveis às inundações do Mondego, tendo definido sete locais de acolhimento para a população. Nas Docas, o rio já galgou as margens, mantendo-se sob monitorização constante.
No Minho, os municípios banhados pelos rios Minho, Lima, Homem e Cávado lançaram alertas de risco elevado, aconselhando os residentes a evitarem deslocações desnecessárias e a prepararem kits de emergência.
Vento e Mar sob Aviso Laranja
Além da precipitação, a agitação marítima coloca 10 distritos do litoral, incluindo Braga e Viana do Castelo, sob aviso laranja entre segunda e quarta-feira.
São esperadas ondas de noroeste que podem atingir os 11 metros de altura máxima. O vento também será um fator crítico, com rajadas previstas até 100 km/h nas terras altas e faixa costeira.
O Governo, que alargou recentemente a situação de calamidade a mais nove concelhos (totalizando agora mais de 60), mantém-se em reunião extraordinária para analisar os danos e coordenar as medidas de reconstrução e prevenção para esta semana.
Embora o IPMA não classifique este episódio como “extremo” ao nível da depressão Kristin, a persistência da chuva sobre terrenos já fragilizados eleva substancialmente o risco de derrocadas e movimentos de massa.



