Portugal continental está esta semana sob alerta amarelo devido às temperaturas elevadas, numa situação de calor excecional que afeta praticamente todo o território. Com exceção do distrito de Faro, todos os restantes distritos encontram-se abrangidos pelo aviso meteorológico emitido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
As regiões do Alentejo, Vale do Tejo e interior do país estão entre as mais afetadas pelo aumento das temperaturas. Nos distritos de Évora e Santarém, os termómetros deverão atingir os 38 graus Celsius, valores cerca de 10 graus acima da média habitual para esta época do ano.
Além do calor intenso, o IPMA prevê para quarta-feira a ocorrência de aguaceiros e trovoadas no interior norte e centro do país, num cenário de instabilidade atmosférica associado às elevadas temperaturas.
Segundo as previsões meteorológicas, o tempo quente deverá manter-se durante pelo menos mais uma semana, prolongando um episódio de calor invulgar para o mês de maio.
A situação não se limita a Portugal. Vários países da Europa Ocidental enfrentam igualmente temperaturas excecionais para esta altura do ano. No Reino Unido, Londres registou 35 graus Celsius, estabelecendo um novo recorde histórico de temperatura máxima em maio.
Em França, a agência meteorológica nacional, Météo-France, alertou para a possibilidade de serem atingidos valores entre 38 e 39 graus nos próximos dias. As autoridades francesas classificaram esta onda de calor precoce como “excecional, histórica e sem precedentes”, sublinhando que as temperaturas estão entre 10 e 15 graus acima da média sazonal.
O fenómeno é explicado pela presença de uma “cúpula de calor”, uma área de altas pressões atmosféricas que retém massas de ar quente vindas do norte de África sobre grande parte da Europa Ocidental. A Météo-France admite que não deverá existir um alívio significativo das temperaturas antes do final da semana.
Apesar dos alertas emitidos pelas autoridades de saúde e proteção civil, a vaga de calor já está associada a vários incidentes e mortes em diferentes países europeus, incluindo casos de afogamento e situações de exaustão térmica.
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu recomendações à população para minimizar os efeitos do calor extremo. As autoridades aconselham a ingestão frequente de água, evitar a exposição solar nas horas de maior calor e reduzir esforços físicos intensos.
Os alertas dirigem-se sobretudo a grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e doentes crónicos, mas também a trabalhadores expostos ao ar livre, considerados particularmente suscetíveis aos efeitos das temperaturas extremas.
Especialistas recordam que Portugal se encontra numa região especialmente vulnerável às alterações climáticas, fenómeno que poderá contribuir para o aumento da frequência, intensidade e duração das ondas de calor nos próximos anos.



