A Póvoa de Lanhoso concluiu o processo de auscultação pública sobre a eventual elevação da vila a cidade, iniciativa de caráter consultivo que decorreu entre 17 e 23 de maio e que procurou envolver diretamente a população na discussão de uma decisão com impacto na identidade do território.
No total, participaram 882 cidadãos. Dos resultados apurados, 752 votaram contra a elevação (85,3%), 129 manifestaram-se a favor (14,6%) e registou-se ainda um voto em branco ou nulo.
Segundo a Junta de Freguesia, os resultados evidenciam uma posição clara da população participante e constituem um contributo relevante para o debate público em torno do futuro administrativo da localidade. A autarquia irá agora elaborar um parecer formal, que será remetido à Comissão da Reforma do Estado e Poder Local, no âmbito do Projeto de Lei n.º 241/XVII.
A Junta sublinha ainda que continuará a promover mecanismos de participação cívica, defendendo que decisões com impacto na identidade do território devem ser precedidas de auscultação alargada da população.
O processo decorre num contexto de divergência política entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal, com a autarquia local a criticar a ausência de uma consulta prévia mais abrangente.
Em sentido contrário, o presidente da Câmara Municipal, Frederico Castro, tem defendido publicamente a elevação da vila a cidade, sublinhando que o concelho cumpre os requisitos legais necessários e que a medida poderá trazer vantagens ao nível do prestígio institucional e do acesso a mecanismos de financiamento.
O autarca socialista já afirmou que a mudança de classificação poderá reforçar a imagem externa do território e integrar a estratégia de desenvolvimento em curso, considerando a elevação a cidade como um “pináculo” do processo de afirmação do concelho.
Apesar das posições divergentes entre órgãos autárquicos, a auscultação agora concluída pela Junta é apresentada como um contributo para o debate sobre o futuro administrativo da Póvoa de Lanhoso.



