O preço do barril de Brent crude oil registou uma forte subida esta quinta-feira, avançando mais de 5% para ultrapassar os 113 dólares, num contexto de agravamento das tensões no Médio Oriente após uma série de ataques a infraestruturas energéticas estratégicas.
Pelas 06h37, os futuros do Brent valorizavam 5,30%, para 113,07 dólares por barril. Já o petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) subia 96 cêntimos, ou cerca de 1%, para 97,28 dólares, depois de ter chegado a ganhar mais de três dólares durante a sessão.
A subida dos preços surge na sequência de uma escalada militar envolvendo Israel e o Irão, com impacto direto em ativos energéticos críticos. Na quarta-feira, Israel terá atingido o campo de gás South Pars, considerado o maior reservatório de gás natural do mundo, partilhado entre o Irão e o Qatar.
Em retaliação, a República Islâmica lançou mísseis contra o complexo energético de Ras Laffan Industrial City, no Qatar, onde se concentram algumas das principais infraestruturas de processamento de gás natural liquefeito (GNL) do país. A empresa estatal QatarEnergy confirmou que os ataques causaram “danos extensos” nas suas instalações.
Segundo Reuters, analistas alertam para o risco de interrupções prolongadas no fornecimento energético global. “A escalada da tensão no Médio Oriente, os ataques precisos às infraestruturas petrolíferas e a morte de líderes iranianos apontam todos para uma interrupção prolongada no abastecimento de petróleo”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que nem Washington nem Doha estiveram envolvidos nos ataques iniciais. Ainda assim, reconheceu que Israel “reagiu violentamente”, classificando o ataque ao campo de gás iraniano como uma escalada significativa no conflito. Trump admitiu, contudo, que novos ataques poderão ser evitados, a menos que o Irão volte a retaliar.
Entretanto, a Arábia Saudita informou ter intercetado e destruído quatro mísseis balísticos dirigidos a Riade, além de ter frustrado uma tentativa de ataque com drones contra uma instalação de gás, sinalizando o alastramento do conflito a outros países da região.
O agravamento da instabilidade no Médio Oriente, responsável por uma parte significativa da produção global de energia, está a intensificar os receios dos mercados quanto à segurança do abastecimento, pressionando em alta os preços do petróleo e aumentando a volatilidade nos mercados internacionais.



