O preço do petróleo Brent, referência para o mercado europeu, registava uma subida superior a 2% na manhã desta segunda-feira, sendo negociado acima dos 105 dólares por barril antes da abertura das bolsas europeias.
Pelas 08h22 (07h22 em Lisboa), o Brent mantinha-se acima desse patamar, depois de ter ultrapassado momentaneamente os 106 dólares no arranque da sessão, movimento que acabou por moderar nas horas seguintes.
Nos Estados Unidos, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência no mercado norte-americano, avançava também 1,7%, para 98,57 dólares por barril.
A valorização do crude ocorre num contexto de forte volatilidade nos mercados energéticos, influenciados pelas tensões no Estreito de Ormuz e pela possibilidade de um conflito prolongado na região, fatores que têm aumentado a incerteza quanto ao abastecimento global de petróleo.
No domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, advertiu que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) poderá enfrentar “um futuro muito mau” caso os aliados não cooperem para reabrir o Estreito de Ormuz, bloqueado pelos militares iranianos em resposta à ofensiva lançada por Washington e Israel contra o Irão a 28 de fevereiro.
“É lógico que aqueles que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mal lá acontece”, afirmou Trump, numa entrevista ao jornal britânico Financial Times, na qual destacou a dependência da China e da Europa do petróleo proveniente da região.
Perante o agravamento das tensões, a Agência Internacional de Energia (AIE) decidiu na semana passada libertar 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, a maior operação deste tipo alguma vez realizada pela organização, com o objetivo de aliviar a pressão sobre os preços do petróleo.
No âmbito dessa decisão, os Estados Unidos deverão disponibilizar 172 milhões de barris, sendo que os primeiros 86 milhões provenientes da reserva estratégica norte-americana deverão começar a chegar ao mercado no final desta semana.
Os preços do crude continuam a reagir às incertezas geopolíticas e à instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o comércio energético mundial. Por esta via circula cerca de um quinto do petróleo transportado por mar a nível global, além de quantidades significativas de gás natural liquefeito e fertilizantes.
Nos últimos dias, a Guarda Revolucionária iraniana reivindicou vários ataques a navios que atravessavam a zona, numa resposta à ofensiva militar desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão.
Entretanto, o Conselho da Organização Marítima Internacional (OMI) convocou uma sessão extraordinária para os dias 18 e 19 de março, destinada a analisar o impacto do bloqueio do Estreito de Ormuz no transporte marítimo e as implicações da crescente instabilidade na região.
No plano financeiro, as bolsas europeias apontam para uma abertura mista. Enquanto Madrid e Londres deverão iniciar a sessão com ligeiras quedas, Frankfurt, Paris e Milão poderão registar ganhos até 0,4%. O índice espanhol Ibex 35 encerrou na sexta-feira nos 17.059,30 pontos e prevê-se que abra a sessão desta segunda-feira com uma ligeira descida.



