Os prejuízos provocados pelas recentes tempestades que atingiram Portugal continental poderão ascender a valores entre os cinco e os seis mil milhões de euros na região Centro. A estimativa é avançada por Paulo Fernandes, presidente da entidade executiva Reconstruir a Região Centro, numa entrevista ao jornal Público.
“Se 2,5 mil milhões de euros resolverem o problema das empresas e das habitações, seria espetacular”, afirmou. Ainda assim, alertou que esse valor não contempla os danos nos equipamentos públicos nem na vertente agroflorestal. “Falar de cinco a seis mil milhões de euros não é nada que não esteja dentro do espetro deste desastre ambiental, social, económico, infraestrutural e, no limite, nacional”, acrescentou o antigo presidente da Câmara do Fundão.
A situação é particularmente grave no distrito de Leiria, a região mais afetada pela depressão Kristin. O presidente da câmara, Gonçalo Lopes, estima prejuízos próximos dos 800 milhões de euros e admite que o plano de recuperação se estenda até ao final do atual mandato autárquico, em 2029. Paulo Fernandes fala mesmo num “dano gigantesco”, considerando tratar-se da “maior catástrofe natural da história contemporânea do país”.
Relativamente ao impacto social, o responsável revelou que o número oficial de deslocados poderá estar subavaliado. Até ao momento, o balanço aponta para 72 famílias deslocadas, 103 desalojadas e um total de 175 habitações consideradas inabitáveis. “O número dos deslocados é muito infra”, afirmou, admitindo que existam mais casos e casas sem condições mínimas de habitabilidade.
No apoio às famílias, Paulo Fernandes explicou que existe uma resposta imediata até aos dez mil euros, que, conjugada com seguros, poderá ser suficiente em muitas situações. Contudo, alertou para os casos de perda total da habitação, sublinhando que cerca de metade dessas casas poderá não ter seguro. “É preciso encontrar uma resposta”, defendeu.
Nesse sentido, está a ser preparada uma medida específica, com a participação da Secretaria de Estado da Habitação e do Ministério da Coesão. Para o responsável, “seria absurdo” investir centenas de milhões em apoios de pequena escala e não assegurar “15 ou 20 milhões de euros” para resolver a situação das famílias que perderam completamente as suas casas.
Quanto às falhas no fornecimento de energia elétrica, Paulo Fernandes adiantou que, de acordo com a E-Redes, os problemas na média tensão deverão estar resolvidos até domingo ou segunda-feira. Já nas telecomunicações, a recuperação deverá ser mais lenta, uma vez que cerca de 40% das antenas continuam inoperacionais por falta de energia.
“A parte das telecomunicações vai demorar mais a normalizar do que a da energia”, concluiu.



