Termina este domingo a XIX edição do Presépio ao Vivo de Priscos, no concelho de Braga, iniciativa que voltou a afirmar-se como um dos mais relevantes eventos natalícios do país e que, este ano, assumiu uma forte e clara mensagem social sob o tema “Deficiência e Superação”.
Mais do que uma recriação bíblica do nascimento de Jesus, o Presépio ao Vivo de Priscos procurou sensibilizar o público para as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência, promovendo valores como a inclusão, a dignidade, a esperança e a superação. Entre os momentos mais marcantes desta edição estiveram a participação do Centro de Paralisia Cerebral de Beja e o testemunho de Diogo Faria, jovem de 20 anos com Ataxia Congénita, cuja história marcou simbolicamente a abertura do evento.
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o Presépio recebeu mais de 180 grupos organizados, provenientes de várias regiões de Portugal e da Galiza, mobilizando cerca de 600 voluntários. Estes números voltam a confirmar o evento como um projeto cultural, comunitário e solidário de referência, onde o Natal é vivido de forma profundamente humana.
BALANÇO PELO PADRE JOÃO TORRES
Em balanço final, o padre João Torres, pároco da Paróquia de São Tiago de Priscos e principal mentor do projeto, sublinha que esta edição se destacou por uma mensagem “clara, atual e profundamente humana”. “Mais do que uma simples representação do Natal, o Presépio ao Vivo de Priscos afirma-se como um presépio que fala — não apenas aos olhos, mas sobretudo ao coração e à consciência”, refere em comunicado.
O sacerdote destaca ainda a profundidade da temática escolhida, defendendo que o Presépio se assumiu como “um espaço de consciencialização social, inclusão e esperança, ligando a mensagem do Natal aos desafios concretos da vida de muitas pessoas e famílias”.
Segundo o padre João Torres, esta edição deu visibilidade às dificuldades sentidas por pessoas com deficiência, alertando para a escassez de recursos, a falta de lares, de apoios terapêuticos adequados e de oportunidades reais de inclusão social e profissional. “Mais do que uma denúncia, o Presépio de Priscos foi um apelo à consciência coletiva, mostrando caminhos possíveis de integração, dignidade e superação”, sustenta.
Neste contexto, destacou-se a exposição “Do Silêncio à Visibilidade”, apresentada pelo Centro de Paralisia Cerebral de Beja, um projeto desenvolvido no âmbito da Formação Profissional em 2024, que deu a conhecer histórias reais de integração profissional de pessoas com deficiência, demonstrando que a inclusão é possível quando existem compromisso e oportunidades.
A dimensão solidária do Presépio ao Vivo de Priscos voltou também a ser reforçada através da colaboração de reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga, que há cerca de uma década participam na construção e manutenção das estruturas do presépio. Os donativos recolhidos revertem, como habitualmente, para apoiar estes reclusos na reconstrução dos seus percursos de vida, promovendo a reintegração social e combatendo a exclusão.
O padre João Torres conclui sublinhando que se trata de “um projeto que ultrapassa fronteiras, com alcance regional, nacional e internacional”, afirmando-se como um espaço onde o Natal “acontece de forma viva, comprometida e verdadeiramente transformadora”.



