O vencedor da primeira volta das presidenciais, António José Seguro, celebrou o resultado nas Caldas da Rainha com um discurso focado na união e na esperança. O candidato apresentou-se como uma figura “sem amarras” e apelou à convergência de todos os democratas para travar André Ventura na segunda volta, marcada para 8 de fevereiro.
Num Centro Cultural e de Congressos lotado na cidade onde reside, António José Seguro oficializou a sua vitória nesta primeira volta com uma mensagem de pendor humanista e inclusivo. Com a voz visivelmente enrouquecida pelo esforço da campanha, mas perante uma plateia em euforia, o candidato afirmou categoricamente: “Este é o momento de derrotarmos o medo e erguermos a esperança”.
Seguro, que obteve 31,21% dos votos a nível nacional, utilizou o seu tempo de antena para marcar uma posição de independência, distanciando-se de lógicas exclusivamente partidárias. “Sou livre, vivo sem amarras e assim agirei como Presidente da República”, garantiu, sublinhando que a sua votação transversal — com apoios vindos de vários quadrantes políticos — reforça a natureza suprapartidária do seu projeto para Belém.
Apelo aos progressistas e “piscar de olho” aos derrotados
Numa estratégia clara de captação de votos para o duelo final contra André Ventura, Seguro deixou uma palavra de apreço aos adversários que ficaram pelo caminho, afirmando que “não há derrotados, porque todos somos democratas”.
O vencedor da noite dirigiu um convite direto a todos os “humanistas e progressistas” para se juntarem à sua candidatura com o objetivo de “derrotar o extremismo e quem semeia o ódio”. Recuperando o espírito da vitória histórica de Mário Soares em 1986, Seguro prometeu que, se eleito, será o “Presidente de todos os portugueses”, rejeitando a existência de cidadãos de primeira e de segunda categoria.
Três semanas de “Festa da Democracia”
Projetando já o embate de 8 de fevereiro, António José Seguro instou o país a transformar as próximas três semanas numa “festa da liberdade”. Para o antigo líder socialista, o país só prosperará se for capaz de preservar um “chão comum”, garantindo que jamais será um Presidente que governa para uma parte dos portugueses contra a outra.
“A política, ou serve para melhorar a vida das pessoas, ou então não serve para rigorosamente nada”, concluiu, sob gritos de apoio que ecoaram no auditório caldense, reafirmando que a sua bandeira será a da esperança contra o medo.



