O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, reúne-se esta quinta-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, em São Bento, num encontro marcado por vários dossiês políticos, com especial destaque para a reforma laboral, que tem gerado crescente tensão entre Governo e oposição.
A reunião ocorre no mesmo dia em que o Conselho de Ministros deverá aprovar a proposta do Executivo para alterações à legislação laboral, que seguirá posteriormente para discussão na Assembleia da República.
Em declarações à CNN Portugal, no programa Prime Time, José Luís Carneiro afirmou querer esclarecimentos diretos do primeiro-ministro sobre o conteúdo e os objetivos da reforma, questionando as razões para eventuais alterações ao enquadramento laboral aprovado em 2023.
O líder socialista tem classificado o pacote legislativo como uma possível “contrarreforma laboral”, defendendo que algumas das medidas em preparação representam uma inversão face à chamada “Agenda do Trabalho Digno”, aprovada durante a governação de António Costa.
“No dia 1 de maio fiz um apelo ao primeiro-ministro para que deixasse cair a proposta de contrarreforma laboral”, recordou Carneiro, considerando que o processo em curso levanta dúvidas sobre o impacto das mudanças no equilíbrio entre trabalhadores e empresas.
Apesar das críticas, o líder do PS recusou, para já, fechar a posição do partido em relação à proposta governamental, sublinhando que a avaliação socialista dependerá da versão final que entrar no Parlamento.
A reunião com Luís Montenegro acontece depois de um encontro do primeiro-ministro com o líder do Chega, André Ventura, no dia anterior. Questionado sobre a ordem das reuniões, José Luís Carneiro desvalorizou qualquer leitura política, afirmando não considerar relevante a sequência dos encontros.
O secretário-geral socialista deixou ainda críticas ao Chega, referindo-se ao partido como tendo um “estado de opinião de tal forma gasoso que altera [a sua posição] da noite para o dia”.
Perante insistência sobre o sentido de voto do PS, Carneiro manteve prudência, evitando um compromisso definitivo e insistindo na necessidade de análise detalhada da proposta que vier a ser apresentada no Parlamento.



